segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Registro 293: Texto de Fernando de Barros e Silva
domingo, 8 de novembro de 2009
Regsitro 292: Lá se foi Anselmo Duarte
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Registro:291: Não deixe de ler
sábado, 31 de outubro de 2009
Registro 290: Biblioteca Osmar Rodrigues Cruz
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Registro 288: Importante texto de Antonio Cícero
Quanto mais uma ideologia se pretender superior à crítica, tanto mais merece crítica |
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Registro 287: Parabéns, Fernanda Montenegro
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Registro 286: Depoimento IX
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Registro 285: Monólogos
Na dramaturgia, seja ela nacional ou internacional, encontram-se belas e inesquecíveis peças, tanto por suas qualidade formais quanto por seu conteúdo que demonstram para nós mesmos o que somos. Penso que conteúdo e forma se completam. Mas esse registro não tem como objetivo entrar em tal discussão. O que pretendo ressaltar aqui são alguns monólogos que me tocam, aqueles que não consigo esquecer. Vez em quando retorno às peças esperando o momento em que o monólogo se apresenta. Outras vezes leio somente o trecho e me dou por satisfeito. Essa leituras desencadeiam em mim uma série de sentimentos e reflexões.
Alguns desses monólogos que passo a transcrever já ouvi na voz de de intérpretes em encenações ótimas, boas e ruins. Mas isso não vem ao caso. Ou melhor, as ruins eu esqueci. No entanto o texto permanece, o texto escrito. Outros monólogos, tomei conhecimento pela leitura da peça. Eles serão publicados sem a preocupação didática. Portanto, não haverá coerência como relação aos genêros nem ao tempo histórico nem a estética que a peça se filia. A escolha é subjetiva; surge pelo avivamento da memória ou porque, repentinamente, o texto se avulta na confusão das estantes e o olho é chamado a vê-lo.
Os monólogos que abrem o registro fazem parte da peça Tio Vania de Anton Tchecov (Editora Veredas, 1994), escrita em 1897. Um é de Astrov, no primeiro ato. O outro é de Sonia no quatro e último ato da peça .
- VOINITSKII (rindo) Bravo, bravo! Tudo isso é encantador, mas nada convincente, portanto (a Astrov) nos permita, amigo, que continuemos usando madeira para aquecer nossas estufas e construir nossos celeiros.
- ASTROV Você poderia aquecer a estufa com turfa e construir o celeiro com pedras. Está bem, que seja, você pode cortar a árvore quando precisar... mas para que destruir as florestas? As florestas russas rangem sob os golpes de machado, milhões de árvores são derrubadas, os lares dos animais selvagens e dos pássaros são revirados, os rios se esgotam e secam, desaparecem para sempre as paisagens maravilhosas... somente porque não passa pela cabeça do homem preguiçoso dobrar as pernas e catar a lenha no chão. (A Ielena Andréievna.) Não tenho razão minha senhora? É um bárbaro insensato aquele que queima na estufa a beleza, destrói aquilo que somos incapazes de criar. O homem foi dotado de juízo e força criadora para que multiplicasse aquilo que lhe foi entregue, mas até agora nada criou, apenas destruiu. A cada dia as florestas minguam mais e mais, os rios se esgotam, a vida selvagem se extingue, o clima fica mais adverso e a terra cada vez mais se torna pobre e feia. (A Voinitskii.) Seu olhar é irônico e acha que eu estou falando besteiras... Talvez haja, de fato, algo de excêntrico nisso tudo, mas quando passo pelos bosques dos camponeses que salvei da destruição, ou quando ouço o sussurrar do bosque jovem que plantei com as próprias mãos, então sei que o clima depende um pouco de mim também, e se dentro de mil anos o homem for feliz, então eu também contribuí com uma pequena parcela para isso. Quando planto uma muda de bétula e mais tarde a vejo verdejante, agitando-se ao vento, minha alma se enche de orgulho e eu... (Percebe o criado, que lhe traz um copinho de vodca numa bandeja.) Mas... (Bebe.) Tenho de ir. Afinal de contas, tudo isso não passa de excentricidade. Meus respeitos! (Parte em direção à casa.)*******************
- VOINITSKII (Sonia, afagando-lhe os cabelos com uma das mãos.) Que peso sinto no peito, criança querida! Oh, se soubesse que peso!
- SONIA O que se pode fazer? Viver é preciso! (Pausa.) E nós viveremos, tio Vania, viveremos a longa, longa sequência de dias e de noites. Suportaremos com paciência os golpes do destino; trabalharemos sem descanso pelos outros, agora e na velhice, e quando chegar a nossa hora morreremos em paz, e lá, além do túmulo, diremos que sofremos, choramos, tivemos muitas tristezas, e Deus então se apiedará de nós, e ambos - você e eu, querido titio - conheceremos uma vida maravilhosa, cheia de luz, a alegria nos invadirá, e olharemos com um sorriso emocionado nossa infelicidade de agora - e descansaremos. Tenho fé nisso, titio, creio ardentemente, apaixonadamente... (Ajoelha-se diante dele e apóia a cabeça em seu braço; com a voz cansada.) Descansaremos. (Teleguin toca o violão suavemente.) Descansaremos! Ouviremos os anjos e contemplaremos o céu cravejado de diamantes e veremos que toda a maldade terrestre, todos os sofrimentos, mergulharão na misericórdia que encherá o universo, e nossa vida será tão tranquila, terna e doce quanto uma carícia. Eu creio nisso, eu creio... (Com o lenço enxuga as lágrimas do tio.) Pobre, pobre tio Vania, você está chorando... (Entre lágrimas.) Você não conheceu a alegria em sua vida, mas espere, tio Vania, espere... Descansaremos... (Abraça-o.) Descansaremos! (O guarda-noturno matraqueia. Teleguin toca suavemente. Maria Vasilievana faz uma anotação na margem do folheto; Marina tricota a meia.) Descansaremos! (A cortina desce lentamente.)
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Regsitro 284: O Canto de La Negra
sábado, 12 de setembro de 2009
Registro 283: Lembrança do tempo em que eu era ator
SEU QUEQUÉ
Teleromance dirigido por Edson Braga
TV Cultura - São Paulo - 1982
Raimundo Matos (Seu Quimquim)
e
Regina Dourado (Dona Santinha)

que fazia parte do elenco.
sábado, 5 de setembro de 2009
Registro 282: Coisa séria
Gosto da forma como pensa e escreve Clóviss Rossi. Por esse motivo copiei e colei sem pedir autorização.
MAUS COMPANHEIROS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que gosta tanto de ditados tidos como populares, bem que poderia prestar atenção ao "diga-me com quem andas e te direi quem és". Se prestasse, teria dito à sua candidata Dilma Rousseff quais ilações podem surgir do fato de ela rezar ao lado do apóstolo Estevam Hernandes e da mulher dele, a bispa Sônia Hernandes, da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, que foram presos nos EUA.
___________________________________
Clóvissi Rossi escreveu de Londres, publicado em Folha de S. Paulo, 05 de setembro de 2009.
domingo, 23 de agosto de 2009
Registro 281: Impressões
O fato é a arte anima a gente, nos conforta, às vezes nos tira o equilíbrio desassossegando-nos. Falo por mim; a generalização fica por conta do desejo de que todos, homens e mulheres, fossem tocados pelo universo da arte. Diante da sujeira que rola noutras áreas, o que vai pela arte desse meu Brasil brasileiro diz muito do que esse país poderia ser e não é. Com essa afirmação, não quero dizer que a arte nos redime, purifica, salva. Coitado de quem acredita nisso. No entanto, penso que ela é um forte antídoto contra a barbárie. Nesse sentido, ela produz efeitos. Não faço aqui a defesa acrítica dos artistas. Alguns agem também como os políticos. Alguns são até políticos...
sábado, 8 de agosto de 2009
Registro 280: Uma manhã com os estudantes do Colégio Salesiano
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Registro 279: Depoimento VIII
1 – Que atores ou atrizes cujo trabalho em teatro você acompanha?
Frank Menezes, Wagner Moura e João Miguel
2 – Que atores ou atrizes de cinema compõem a sua galeria de favoritos?
Julianne Moore, Al Pacino, Marília Pera.
3 – Qual diretor de teatro cujo trabalho faz você retornar ao teatro?
Fernando Guerreiro, Antunes Filho, Antônio Araújo (Teatro da Vertigem)
4 – Dê exemplo de um criador teatral muito bom, mas injustiçado.
Plínio Marcos.
5 – Cite uma criação teatral surpreendente e pela qual você não dava nada.
Abafabanca
6 – A cena baiano-brasileira tem alguns momentos teatrais antológicos. Cite algumas que marcaram sua vida.
1. A estréia de R$ 1,99 no Teatro XVIII. 2. Boca de Ouro – Um Nelson Rodrigues em pleno vagão de trem no subúrbio baiano. A meninada saindo de casa para falar com meu personagem durante a peça e o público achando que fazia parte do texto. Um espectador disse ao diretor da peça Fernando Guerreiro: “Nossa! A cena das crianças está muito bem marcada, parece que tá acontecendo na hora!” E realmente estava! 3. A montagem de Hamlet de José Celso Martinez Correa, quando durante uma cena o teto do teatro Oficina se abria e víamos o céu de São Paulo.
7 – Que encenação lhe fez mal, de tão perturbadora?
Apocalipse de Antônio Araújo do Teatro da Vertigem. A peça acontecia num presídio abandonado em São Paulo, durante uma cena o público ficava num corredor escuro e os atores corriam pelados gritando. Senti um certo pânico, mesmo sabendo que era teatro, tive uma sensação real de início de claustrofobia e pensei em sair.
8 – Que espetáculo teatral mais o fez pensar?
Divinas Palavras, de Ramón Del Valle Inclan com direção de Nehle Franke.
9 – Comédia é um gênero de segunda?
Gosto de considerar “Gênero de primeira”, o espetáculo de qualidade. Comédia mal feita é gênero de segunda assim como o drama mal feito.
10 – Cite uma peça difícil, mas significativa.
A Comédia do Fim de Becket com direção de Luís Marfuz.
11 – Cite uma encenação que imagina ter sido memorável e você não viu.
Paraíso, Zona Norte – Antunes Filho
12 – Uma encenação difícil, mas inesquecível.
Dias Felizes com Fernanda Montenegro, vi no Teatro Castro Alves e não era o teatro apropriado para um monólogo de Beckett.
13 – Que texto(s) escrito(s) nos últimos dez anos merecia um lugar na história do teatro brasileiro?
14 – Qual o texto dramático clássico brasileiro, de qualquer tempo, você recomendaria encenações constantes?
Nelson Rodrigues – toda a sua obra desde peças, crônicas e contos.
15 – Cite um(a) autor(a) sempre ausente dos cânones que merece seu aplauso?
Na verdade penso na atriz Denise Stoklos, pois seus textos são muito bons, mas por desenvolver um teatro autoral, seus textos não são muito lembrados. Tenho todos e leio sempre que posso.
18 – Que montagem (ou ator, autor, diretor, cenógrafo, figurinista, iluminador) festejado pela crítica você detestou?
Geral Thomas, não as suas primeiras montagens, mas a fórmula depois que ficou um pouco engessada.
19 – E que montagem (ou ator, diretor, autor) demolida por críticos você gostou?
Teve uma montagem de Um Fax de Denise Stoklos para Cristovão Colombo no Rio de Janeiro que sofreu uma crítica de Macksen Luís no Jornal do Brasil, dizendo que o discurso de Denise estava ultrapassado. Era a primeira vez que eu via aquela atriz em cena. Eu e Ana Paula Bouzas, atriz e amiga, vimos a peça juntas, e nos marcou muito. Quando lemos a crítica, ficamos indignadas e enviamos uma carta ao jornal e a carta foi publicada na coluna Opinião do Leitor. Anos depois conheci pessoalmente a atriz e ela havia guardado a nossa carta e lembrava bem do fato.
20 – Qual peça e personagem gostaria de fazer? Você pode escolher três.
21 – Você é um intérprete, autor, cenógrafo, iluminador, diretor, dramático ou pós-dramático?
Uma diretora pós-dramática e uma ATRIZ DRAMÁTICA AO EXTREMO!!!!!!!!!!!
22 – Que virtude você mais preza no teatro de qualidade?
Comunicação com o público.
23 – O que mais incomoda você no mau teatro?
Subestimar a capacidade do público.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Registro 278: Iniciando a semana
Chama as filhas - Goneril, Regana e Cordélia- para dividir seus bens e poder, anunciando que seria mais agraciada aquela que lhe fizesse a maior declaração de amor. E impõe outra condição: enquanto vivesse, o rei deveria ter assegurado respeito, prestígio, cuidado e, quem sabe, até mesmo o amor de suas filhas e súditos. Quer deixar de ser rei sem perder a majestade.
Cordélia, a mais jovem, com quem o rei mais se identificava, e que muito o amava, não soube dizer o que sentia. As outras não sentiam amor pelo pai, mas eram hábeis na verve.O que torna sua jornada trágica e dolorosa é que Lear se recusa a retornar ao que um dia foi, um simples homem, rei de si mesmo. Não quer morrer, tornar-se passado. Quer ser sucessivo como é a vida, reviver a fase do prazer de poder. Quer ter séquito e até mesmo um bobo para ninar seu desamparo.
Mas ninguém pode impunemente regredir sem ser atormentado pelo fantasma da repetição. No seu obsessivo desejo de ser amado, Lear agarra-se às palavras de Goneril e Regana. E rejeita amargamente a rebeldia de Cordélia, que só sabia sentir e não se sujeita a ter que fazer uma declaração de amor ao pai, obrigando-o a perceber esse amor no único lugar onde deveria estar: no resultado afetivo de suas relações pessoais.Não por acaso desmorona o mundo de Lear. O que antes era tão bem definido, passa a ser ambivalente. Certeza e dúvida, coragem e medo, segurança e desamparo. A loucura de não mais saber quem é.
O alto preço por ter almejado e transformado em "ato" o desejo de retornar ao lugar onde um dia esteve e querer assumir a forma do que um dia foi. Ele só existe no mundo daqueles que o aceitam e o amam tal como é. E mesmo estes, incluindo Cordélia, não têm mais como aceitar seu governo senil. Até porque foi ele próprio quem decidiu abdicar de ser quem era para tornar-se quem não mais podia ser. Tornou-se merecedor da reprimenda feita por meio das palavras do bobo: "Tu não deverias ter ficado velho antes de ter ficado sábio".
Genial Shakespeare, trágico rei, frágil humanidade de sempre, que não quer passar. Que infringe a ordem dos acontecimentos, sem o árduo trabalho de elaborá-los. Que desiste de ressignificar-se, e quer tão somente repetir o prazer da sensação vivida nas ilusões de majestade.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Registro 277: Resenha
domingo, 5 de julho de 2009
Registro 276: Barroco Popular
Fragmento, 2006, Mista sobre tela. 70 x 70. Acervo do artista
Celeste, 2006. Mista sobre tela, 60 x 60. Acervo do artistaquarta-feira, 1 de julho de 2009
Registro 275: Revista MIMUS

Registro 274; Entrevista
domingo, 14 de junho de 2009
Registro 273: Cacilda, * 1921 + 1969


Quando da morte de Cacilda Becker em 14 de junho de 1969, distante de nós quarenta anos, o poeta primeiro escreveu o belo poema transcrito aqui, uma homenagem que presto a esse mito do teatro brasileiro. Não vi Cacilda Becker em cena, conheço apenas Floradas na Serra o filme que vez com Jardel Filho, mas convivi com espectadores de seu trabalho. A opinião de todos era unânime: Cacilda iluminava a cena em qualquer peça, em qualquer personagem e mesmo quando não se saía bem era inesquecível. Recomendo a leitura de dois livros fundamentais para compreender esse "monstro de teatro", Uma Atriz: Cacilda Becker, de Nanci Fernandes e Maria Thereza Vargas (São Paulo: Perspectiva, 1984) e Cacilda Becker: fúria santa, de Luís André do Prado (São Paulo: Geração Editorial, 2002)
ATRIZ
A morte emendou a gramática.
Morreram Cacilda Becker.
Não era uma só. Era tantas.
professorinha pobre de Piraçununga
Cleópatra e Antígona
Maria Stuart
Mary Tyrone
Marta de Albee
Margarida Gautiher e Alma Winemiller
Hannah Jelkes a solteirona
a velha senhora Clara Zahanassian
adorável Júlia
outras muitas, modernas e futuras
irreveladas.
Era também um garoto descarinhado e astuto: Pinga-Fogo
e um mendigo esperando infinitamente Godot.
Era principalmente a voz de martelo sensível
martelando e doendo e descascando
a casca podre da vida
para mostrar o miolo de sombra
a verdade de cada um nos mitos cênicos.
Era uma pessoa e era um teatro.
Morreram mil Cacildas em Cacilda.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 11 de junho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
domingo, 31 de maio de 2009
Registro 269: Relato de uma semana que se finda
terça-feira, 26 de maio de 2009
Registro 268: Depoimento VII
Sergipano de nascimento, desde jovem Harido Déda "sentou praça" na Cidade da Bahia. Ator, diretor teatral, mestre em Arte Cênicas, professor da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia. Participante do Centro Popular de Cultura - CPC, fundador do Teatro de Arena na Bahia, Harildo Déda tem em seu vasto currículo uma série de espetáculos, filmes e participações em novelas e mini-séries. Nos anos setenta ingressa no Teatro Livre da Bahia trabalhando sob a direção de João Augusto.
1 – Que atores ou atrizes cujo trabalho em teatro você acompanha?
Yumara Rodrigues
2 – Que atores ou atrizes de cinema compõem a sua galeria de favoritos?
Marlon Brando, Paul Newman, Pacino, Meryl Streep, Bette Davis.
3 – Qual diretor de teatro cujo trabalho faz você retornar ao teatro?
Marfuz, Paulo Dourado, Guerreiro e, é claro, Hackler.
4 – Dê exemplo de um criador teatral muito bom, mas injustiçado.
5 – Cite uma criação teatral surpreendente e pela qual você não dava nada.
6 – A cena baiano-brasileira tem alguns momentos teatrais antológicos. Cite algumas que marcaram sua vida.
7 – Que encenação lhe fez mal, de tão perturbadora?
8 – Que espetáculo teatral mais o fez pensar?
9 – Comédia é um gênero de segunda?
10 – Cite uma peça difícil, mas significativa.
12 – Uma encenação difícil, mas inesquecível.
13 – Que texto(s) escrito(s) nos últimos dez anos merecia um lugar na história do teatro brasileiro?
E tem? Me lembre pelo amor de Deus!
14 – Qual o texto dramático clássico brasileiro, de qualquer tempo, você recomendaria encenações constantes?
15 – Cite um(a) autor(a) sempre ausente dos cânones que merece seu aplauso?
18 – Que montagem (ou ator, autor, diretor, cenógrafo, figurinista, iluminador) festejado pela crítica você detestou?
Não sei.
19 – E que montagem (ou ator, diretor, autor) demolida por críticos você gostou?
20 – Qual peça e personagem gostaria de fazer? Você pode escolher três.
21 – Que virtude você mais preza no teatro de qualidade?
22 – O que mais incomoda você no mau teatro?
A empáfia; o pretexto.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Registro 257: Flávio Império
Auto-retrato/detalhe.Técnica mista. Coleção particular. 1976
adoro
irmã/mente
noel e shakespeare, boal, zé celso, ruth, sábato; gente que faz acontecer o teatro no Brasil. caetano, bethania, célia, célia helena, cacilda, walmor, andré - sei lá
gente que sempre gostou de atuar na cena. mesmo que não soubessem exatamente o que estavam fazendo
GOSTAM e GOSTAVAM
quem se enche o saco se afasta e é sempre pouco, o que consegue nos afastar.
o comodismo, o dinheiro, a idade, a preguiça, - outras bossas.
uma certa "bohemia", cada geração no seu botequim - bar - restaurante, ou própria casa - vendo televisão.
e todo mundo hoje em dia claro que prefere receber em dollares, como a Carmem Miranda!
o "artista" precisa de muita conversa tanto quanto de muito silêncio e recolhimento interior pra conseguir criar.
só na correria, não dá!
e sossego é dólar, ou relativa pobreza.
agradeço a todos os que até hoje me aplaudiram.
porque GOSTARAM.
e se gostam eu também fico contente de conseguir "fazer" o próprio "ato" de agradar.
"gostar da gente" é o nosso IBOPE pessoal
não tenho unanimidade. (mas isso, nem Cristo) mas uma deliciosa platéia,
quando é Bethania, Gal, Artigas, Caetano, Walmor, Célia, Edmar, Gláucia, Vina, Azzis, Guarnieri, Paulo José, Tozzi, Carmela, Djalma, Dina, Myriam, Flávio Motta, Renina, Parreiras, e quantos foram os aplausos.
tive de "agradecer" na estréia de Andorra. fui levado pelo próprio chamado
foi incrível
e, basta uma vez na vida.
é uma enorme prova de amor alegre e cheio de lágrimas foi tão grande o sentimento, que até hoje agradeço.
se me perguntassem algum desses dias com quem mais gostaria de trabalhar
eu reponderia ARRIGO e CASÉ
há sempre com quem, imagine ter feito a "cenografia" de algum show da Ângela Maria, Procópio, Dulcina, e do próprio Noel ao vivo.
seria um total barato!
ter feito Doces Bárbaros, pra mim foi "diploma PHD". tive uma semana pra bolar, fazer, levar, pendurar e ficar olhando, PASMO! tinha conseguido.
em particular, agradeço à Sonia minha "fada madrinha" .
e ao Iácov que, pela 1a. vez, "iluminou" um espetáculo em que a cenografia nasceu junto: OTHELLO.
e ao Arquimedes, por ter me ensinado tudo sobre "o palco", e ainda me ensinar, e aos meus "alunos" que me obrigam a "sambar", e manter o ritmo de cintura.
necessário ao "passar do tempo"
assim, enfim, agradeço a Deus por existir.
maio 1983
Gerais/detalhe. Técnica mista, 1977
Refazendo.Técnica mista, coleção particular,1975
Bananeirassábado, 16 de maio de 2009
Registro 256: O teatro abriu caminhos...
A Companhia das Índias
________________________________________________Branca de Neve e os Sete Anões, adaptação de Chico Ribeiro e Maria Idalina – Direção: Maria Idalina. Teatro Castro Alves.
__________________________________________________
Tito AndronicoEduardo Esteves, Eduardo Calazans, Raimundo Matos, Gildásio Leite
Eduardo Esteves, Eduardo Tudella, Raimundo Matos, Gildásio Leite Jacques Beauvoir
Foto para divulgação de As Feras
A Perseguição, de Timochenco Webbi - Direção: Márcio Aurélio - Teatro Aliança Francesa do Butantã , Teatro de Arena - Porto Alegre.
A Morta, de Oswald de Andrade - Direção: Emílio Di Biasi. Sala Gil Vicente - Teatro: Ruth Escobar.

A Morta
Walter Marins, Raimundo Matos, Walquíria Lobo, Márcio De Luca
Bri Fiocca, Wilma de Souza
Cacilda Lanuza, Kadu Moliterno, Geraldo Del ReyBeth Caruso, Herson Capri, Imara Reis, Raimundo Matos
Raimundo Matos, Geraldo Del Rey1977
Souzalândia, de Augusto Francisco - Direção: Roberto Lage. Teatro Oficina - São Paulo
Domingo, Zeppellin, de Marcos Vinincius - Direção: Silnei Siqueira.Teatro Aliança Francesa, Teatro Municipal de São Paulo.
_____________________________________________________1978
1979
A Falecida
Quem Conta Um Conto Aumenta Um Ponto Raimundo Matos, Cleide Queiros
GeniMarilena Ansaldi, Raimundo Matos, Ivan Lima
Raimundo Matos, Yeta Hansen, Armando TirabosquiEscuta, Zé, de William Reich e Marilena Ansaldi - Direção: Celso Nunes. Teatro Franco Zampari e viagem pelo Brasil.
Raimundo Matos_________________________________________________________________
Coitado do Isidoro, de Sebastião de Almeida - Direção: Osmar Rodrigues Cruz - Teatro Popular do Sesi - Santo André.
Elenco e equipe técnica com o diretor Osmar Rodrigues CruzCasa de Brinquedos, de Toquinho e Elifas Andreatto - Direção: Mário Mazetti. Tuca.
Édipo Rei, de Sófocles - Direção: Marcio Aurélio – Galpão -Teatro Ruth Escobar - São Paulo e viagem pelo Brasil.

Um Beijo, Um Abraço, Um Aperto de Mão, de Naum Alves de Souza - Direção: Naum Alves de Souza.Teatro Maria Della Costa.
Madame BlavatskiRaimundo Matos, George Otto, Thaia Perez,
Tony Brandão, Wladerez de Barros

2006
Os da Mesa 10, de Oswaldo Dragun - Direção: Raimundo Matos de Leão. Teatro Isba.

Os da Mesa 10Antonio Alcântara, Ricardo Faria
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Registro 265: Pra Fanny Abramovich
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domingo, 10 de maio de 2009
Registro 264: Depoimento VI
Antônio Marques, nascido em Conceição do Jacuípe, interior da Bahia, Antônio Marques é formado em Direção Teatral pela Universidade Federal da Bahia, em Artes Plásticas pela Universidade Católica do Salvador e Especialista em Fundamentos do Ensino da Arte pela Faculdade de Artes do Paraná. Diretor Artístico da Arte Sintonia Companhia de Teatro desde a sua formação, em 2000, onde dirigiu os espetáculos “Um Cravo na Lapela”, “A Serpente”, “Pedaço de Mim”, “A Lei e o Rei”, “Supernordestinos Contra o Monstro da Mandioca” e “Zona Contaminada”. Em 2008, dirigiu “O Submarino”, comédia de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, com Diogo Lopes Filho e Márcia Andrade. Fez curso de Direção Teatral com Fernando Guerreiro e de Dramaturgia com Aninha Franco. Em julho, sob sua direção, estréia o infanto-juvenil “H2Ópera”, de Luís Sérgio Ramos.1 – Que atores ou atrizes cujo trabalho em teatro você acompanha?
Sou um grande apreciador do teatro baiano, acredito muito no teatro que fazemos aqui, não só pela qualidade que imprimimos em nossos trabalhos, mas também pela garra que temos, onde fazemos espetáculo com ou sem dinheiro, com a mesma entrega. Mas voltando a pergunta, além dos atores da Arte Sintonia – Cia que dirijo – Denise Correia, Lívia França, Leonardo Freitas e Gilson Garcia, muitos atores baianos me impressionam em cena, principalmente as mulheres, dentre elas: Cristiane Mendonça, Andréa Elia e Rita Assemany. Da nova geração, acompanho e gosto muito do trabalho de Simone Brault (com quem já tive o prazer de trabalhar) e Mariana Freire.
2 – Que atores ou atrizes de cinema compõem a sua galeria de favoritos?
Meryl Streep, sem dúvida! Toda as vezes que a vi interpretando fiquei fascinado. Nicole Kidman também faz parte da minha galeria, só acho que ela poderia escolher melhor os roteiros, mas é uma excelente atriz.
3 – Qual diretor de teatro cujo trabalho faz você retornar ao teatro?
Sou fruto da Escola de Teatro da UFBA, então, os meus mestres serão sempre minhas referências, por isso, acompanho de perto o trabalho de Luiz Marfuz, Deolindo Checcucci, Paulo Cunha, entre outros. No entanto, toda vez que assisto a um espetáculo de Fernando Guerreiro, saio maravilhado do teatro, porque por mais que já tenhamos visto suas encenações, ele sempre nos traz frescor, nos faz sair maravilhados, seja nas comédias rasgadas, com uma assinatura que só ele tem, ou em espetáculos densos, como “Calígula” e “Eqqus”.
4 – Dê exemplo de um criador teatral muito bom, mas injustiçado.
Pode ser eu? (risos)
5 – Cite uma criação teatral surpreendente e pela qual você não dava nada.
“Os homens são de marte... e é pra lá que eu vou!”, com a Mônica Martelli. Não dava nada pela peça, mesmo sabendo de todo o sucesso que já havia feito no eixo Rio/SP. Sai do teatro ligando para os amigos irem assistir.
Nossa, já assisti a tanta coisa boa! “Senhora dos Afogados”, resultado do Curso Livre da UFBA com direção de Paulo Cunha, “Abismo de Rosas” foi um espetáculo fascinante, “Lábaro Estrelado”, a primeira versão de “Cabaré da Raça”, hoje se perdeu, mas quando estreou era maravilhoso.
7 – Que encenação lhe fez mal, de tão perturbadora?
“O Sapato do meu Tio”, com direção de João Lima. Saí do teatro com minha vocação reafirmada.
8 – Que espetáculo teatral mais o fez pensar?
“Mestre Haroldo e os Meninos”, dirigido por Ewald Hackler. A peça fala de respeito, igualdade, mexe com questões raciais e, sem dúvida, me fez refletir sobre estes assuntos.
9 – Comédia é um gênero de segunda?
Comédia é um gênero de primeira, sem dúvida, quem não gosta de rir? Mas é necessário que tenhamos outros gêneros com casa cheia também.
10 – Cite uma peça difícil, mas significativa.
“Seu Bonfim”, com Fábio Vidal.
11 – Cite uma encenação que imagina ter sido memorável e você não viu.
“A Casa de Eros”, de Possi Neto, em comemoração aos 40 anos da Escola de Teatro da UFBA.
12 – Uma encenação difícil, mas inesquecível.
O ciclo de “Os Sertões”, encenado pela Oficina Uzyna Uzona, no Museu do Ritmo.
13 – Que texto(s) escrito(s) nos últimos dez anos merecia um lugar na história do teatro brasileiro?
“Abismo de Rosas” de Cláudio Simões e “Alta Noite”, de Elísio Lopes Jr.
14 – Qual o texto dramático clássico brasileiro, de qualquer tempo, você recomendaria encenações constantes?
“Eles não usam black-tie”, de Gianfrancesco Guarnieri. Mais do que nunca, é preciso entender que o coletivo vale mais do que o individual.
15 – Cite um(a) autor(a) sempre ausente dos cânones que merece seu aplauso?
Flávio Marinho, pela ausência de encenações de seus textos na Bahia.
18 – Que montagem (ou ator, autor, diretor, cenógrafo, figurinista, iluminador) festejado pela crítica você detestou?
Caramba, já assisti tanto mau teatro, (risos) vindo do Sul. Recentemente, assisti “O Manifesto”, protagonizado por Eva Wilma, mas lembro também que assisti, há alguns anos, “Gata em teto de zinco quente”, com Vera Fischer. Eu e meus amigos saímos constrangidos do teatro.
19 – E que montagem (ou ator, diretor, autor) demolida por críticos você gostou?
Não temos críticos em Salvador.
20 – Qual peça e personagem gostaria de fazer? Você pode escolher três.
“As Primícias” de Dias Gomes; “Coração Brasileiro” de Flávio Marinho e “Gota D’ água” de Chico Buarque.
21 – Que virtude você mais preza no teatro de qualidade?
Disciplina, comprometimento.
22 – O que mais incomoda você no mau teatro?
Salvador tem uma coisa que me incomoda: aqui, todo mundo pode ser autor, pode ser diretor, pode ser ator. Concordo, acho que todos podem, desde quando estude para isso. O que me irrita é que muita gente diz que não gosta de teatro e, por acaso, vai assistir a uma peça que um amigo fez de um curso qualquer, com um resultado qualquer, e vai sair de lá achando que assistiu a uma peça de teatro e convicto de que teatro é uma merda.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Registro 263: Livro sobre teatro na Bahia
Dia 06 de maio de 2009, quarta-feira, a partir das 18h30m, na Galeria do Livro
Transas na Cena Transe, Teatro e Contracultura na Bahia, uma publicação da Edufba é derivado da tese defendida no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas – UFBA, em 2007. O livro aborda questões relativas ao teatro em meio ao idearia contracultural, investindo sua argumentação contra a afirmação de que a produção teatral que se dá de 1968 a 1974 é destituída de criticidade. Propondo outro ponto de vista, o livro apresenta e analisa a produção teatral para afirmar que não houve um “vazio cultural” durante o período em que o governo civil-militar esteve no poder e utilizou a censura e a repressão para calar os artistas. Tomando como fonte de sua pesquisa os jornais da época, o depoimento dos envolvidos com a produção teatral em Salvador e fontes secundárias, o professor Raimundo Matos de Leão dá continuidade à pesquisa sobre a história do teatro na Bahia a partir dos meados dos anos 1950, tema do seu livro anterior Abertura Para Outra Cena, O Moderno Teatro na Bahia, lançado em 2006, uma publicação da Edufba em conjunto com a Fundação Gregório de Mattos. Nessa obra, o autor cobre o período anterior à criação da Escola de Teatro para afirmar que a vida teatral em Salvador sofreu um impulso modernizador a partir da existência da instituição universitária dirigida por Martim Gonçalves. Transas na Cena em Transe avança pela década de setenta, para mostrar um momento significativo do teatro na Bahia, tema de pesquisa a quem vem se dedicando o autor.
Transas na Cena em Transe concentra-se no período que vai de 1967 a 1974, historicamente reconhecido como o auge da contracultura, do desbunde, da festa, da militância guerrilheira. As ações culturais desse período, conceituadas como imbuídas de romantismo revolucionário, inscrevem0-se como reação ao crescente autoritarismo do regime civil-militar. O teatro obriga-se a encontrar formas para manter-se vivo e nos palco de Salvador surgem encenações que traduzem de modo explícito as transformações por que passa a cena mundial. No livro, o autor apresenta os espetáculos, Uma Obra do Governo, Stopem, Stopem, Macbeth, O Futuro Está nos Ovos, Rito do Amor Amargo, Electra, O Diário de um Louco, A Casa de Bernarda Alba, Titus Andrônicus, revelando para o leitor de que maneira os encenadores conceberam seus trabalhos.
Mais informações no endereço on-line: http://edufba.blogspot.com/
EDUFBA (71) 32836160 http://www.blogger.com/
Registro 262: Luiz Fernando ramos escreve sobre Boal
Luiz Fernando Ramos
Crítico da Folha
(Folha de S. Paulo, 05.05.2009)


























