sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Registro 203: Os meus livros, eles estão por aí...

O mais recente: Sob o signo das luzes Livros são como filhos. A imagem é gasta, mas significa muito. Eles crescem. Criam pernas, melhor, asas. Levantam vôo em busca de mãos, de olhos, de mentes que queiram acolhê-los.

Abertura para outra cena, o moderno teatro na Bahia. Derivado da pesquisa realizada no mestrado.
Livro para quem gosta de História do Teatro.

Um muro no meio do caminho, parafraseando Carlos Drummond, para brincar com a capacidade da criança inventar e dar outro sentido para uma objeto tão isolador que é o muro.

Bacanas..., foi bom escrevê-lo. Vira de ponta cabeça a noção de bacana e de famoso.


Quatro peças para crianças estão reunidas nessa colcha de retalhos... Quem conta um conto Gosto de todos. Um deles está esgotado, foi o segundo: Um muro no meio do caminho

ACRELÍRICO é irmão gêmeo de Um campo de morangos para sempre. Um dia quero transforma Acrelírico num romance

Brincadeiras, a primeira peça, encontra-se publicada juntamente com os textos premiados no concurso de dramaturgia de 1977, do Instituto Nacional de Teatro - INACEN.
Outros textos de teatro para criança estão reunidos sob o título de uma das peças, Quem conta um conto aumenta um ponto.
Que tem uma edição lindamente ilustrada.


De cara para o futuro. Se existe um alter ego, talvez ele esteja em suas páginas.
Primavera pop! foi o primeiro livro para o leitor jovem.


Um campo de morangos, fala de engajamento e desbunde e dediquei aos meus colegas do Colégio Estadual da Cahia - Central . Gosto muito dele, pena que a editora não soube trabalhar o livro! Ainda desejo muitos campos de morangos para todos. Batalho por uma nova edição.
Da costa do ouro, foi escrito para questionar a intolerância, o preconceito, o medo do Outro. Tem como pano de fundo a Revolta dos Malês, levante de escravos em Salvador. Braçoabraço, muito lido. A transformação pela arte. A vida de uma menino abandonado, morador de rua e seu encontro com o circo.
O primogênito. Com a peça Brincadeiras ganhei um prêmio. Enquanto trabalhava no espetáculo Souzalândia, eu escrevi a minha peça, mergulho na infância que brinca. As editoras que acolheram meus livros: INACEN, Salesiana, Saraiva, Melhoramentos, Fundação Cultural do Estado da Bahia, SM, Edufba, Paulinas, FTD

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Registro 202: Seminário Memória do Teatro Baiano


A OUTRA COMPANHIA DE TEATRO Seminário História do Teatro Baiano nas Décadas de 60, 70, 80 e 90.
Nos dias 02 e 03 de setembro, A Outra Companhia de Teatro realiza no Teatro Vila Velha o seminário História do Teatro Baiano nas Décadas de 60, 70, 80 e 90. Contemplado com o Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz / 2007, o evento pretende discutir e recontar a história do teatro da Bahia dos anos 60 ao fim dos anos 90 a partir da memória de artistas que produziram e atuaram nesse período.
O seminário é dividido em quatro mesas distribuídas ao longo dos dois dias de atividades. Cada mesa representa uma década e será composta por um mediador e três artistas que produziram e atuaram em alguma produção teatral do período. As mesas são as seguintes:
Mesa Anos 60: 02/09, das 09:00 às 12:00.Mediada por Jussilene Santana.Participantes confirmado: Harildo Déda e Sonia Robatto.
Mesa Anos 70: 02/09, das 14:00 às 17:00. Mediada por Cleise Mendes. Participantes confirmados: Hebe Alves, Deolindo Checcucci e Raimundo Matos Leão.
Mesa Anos 80: 03/09, das 09:00 às 12:00. Mediada por Luiz Marfuz. Participante confirmado: Hebe Alves, Antônio Godi e Paulo Dourado.
Mesa Anos 90: das 14:00 às 17:00.Mediada por Fernando MarinhoParticipante confirmado: Chica Carelli, Meran Vargens e Carmem Paternostro.
Será fornecido certificado para os participantes com 75% de presença.As inscrições começam no dia 18 de agosto e pode ser feita através do e-mail:
aoutra@teatrovilavelha.comMaiores informações pelo telefone: (71) 3083-4617.

SERVIÇO:O QUE: História do Teatro Baiano nas décadas de 60, 70, 80 e 90 – A Outra Companhia de Teatro

QUANDO: 02 e 03 de setembro (terça e quarta)ONDE: Teatro Vila Velha

QUANTO: Gratuito

INSCRIÇÕES / INFORMAÇÕES: (71) 3083-4600

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Registro 201: Alzira Power

Fui assistir no Teatro ISBA, Alzira Power, texto de Antônio Bivar, preparando-se para completar 40 anos. A peça teve sua estréia em 6 de agosto de 1969, Brasil pós-AI5; no elenco Yolanda Cardoso e Antônio Fagundes, direção de Emílio di Biasi.

A montagem atual conta com Cristina Pereira e Sidney Sampaio no elenco. Direção Gustavo Paso.

Bivar, toma dois personagens para jogar sobre a platéia o escárnio de uma geração que se viu reprimida, e descrente dos ideários postulados pela cultura de esquerda configurado pelo nacional-popular, parte para outros caminhos, cujos códigos subjetivos indicam a recusa e apontam para a desagregação. Embora distante no tempo, o texto continua firme em suas proposições e recebe uma inspirada direção de Gustavo Paso. Diante do real baseado em valores degradados, as atitudes de Alzira, a princípio incoerentes, tornam-se coerentes. O seu voluntarismo desencadeia humor e fantasia na cena. Sua investida rebelde contra o acomodamento choca, mas a personagem termina por se impor e no jogo criado por Bivar, Ernesto, o corretor, sai perdendo. Um aviso; capta quem quer. Com esse material, Gustavo Paso orquestra o espetáculo de maneira poética, agilizando a escritura cênica de forma que o conflito se desenvolve num crescendo. A exposição das idéias e dos desejos dos personagens desenvolve-se dando lugar para as explosões temperamentais de Alzira e de desespero de Ernesto. Ao longo desse encontro de opostos há lugar para o lirismo, o melodramático, Tudo bem dosado pela sensível mão do diretor.

O humor escrachado, dosado de ironia, marca o encontro de Alzira, a solteirona que atrai para seu apartamento o jovem corretor Ernesto. Caído numa armadilha, o personagem enfrenta a loucura da mulher solitária que desmonta suas certezas e aponta-lhe o comodismo classe média. Comodismo de quem aceita a vida sem questionamentos, além daqueles que determinam a sobrevivência. Alzira, contraditória, revela-se uma personagem que investe sua delirante loucura contra os limites, as regras, o opressor. Durante uma hora de intenso confronto, em que as regras do bom senso e do politicamente correto são explodidas, as personagens se atraem e se repelem num jogo em que a mulher termina por dominar a situação. O domínio de Alzira sobre Ernesto se dá pela transparência com ela se revela para ele. Desbragadamente furiosa ela investe contra as certezas do jovem e quando ele tenta virar o jogo, ela dá a volta por cima.

Com esse material explosivo e dois personagens confinados em um apartamento, o diretor soube orquestrar uma espetáculo intenso, tragicômico, permeado de lirismo. Sem atualizar o texto, sua encenação aproxima o texto de Bivar da platéia atual, tornando-o atemporal, ainda que lance mão de efeitos - gravação de programas de rádio das décadas de quarenta e cinqüenta e trilha sonora - que parecem datados, mas que de forma bem manipulada criam empatia e enchem a cena de uma delicadeza que só faz aumentar o absurdo da situação criada por Bivar.

Em um cenário, cujo vermelho impera como um signo da violência que a situação figura, Gustavo Poso arma o espetáculo surpreendendo a platéia com efeitos visuais, em que figurino, luz e objetos cênicos servem de moldura para que Cristina Pereira dê largas ao seu talento de atriz. A intensidade com que ela se entrega na construção de Alzira, a Alzira Porra Louca, um dos títulos da peça, mas censurado pela repressão policialesca da época, é imediatamente percebida pelo espectador desde a longa cena inicial quando a atriz, de maneira metódica, se prepara para enfrentar a chegada do visitante. Papel defendido com garra por Iolanda Cardoso, a criadora primeira de Alzira, encontra em Cristina Pereira uma atriz pronta para representá-lo. Alternando comicidade e contensão, suavidade e explosão, a atriz estabelece uma poderosa comunicação com a platéia. Generosa, a atriz cria oportunidades para o seu companheiro de cena, o jovem ator Sidney Sampaio. Os dois criam a necessária empatia para que o texto de Bivar, com seu final surpreendente e provocativo, chegue até a platéia sem muitas ranhuras.

Amoral, como em toda sua dramaturgia, o autor esbanja talento e maneja habilmente a situação, solucionando-a de maneira fatal, num golpe de teatro, única saída para almas dilaceradas presas nas malhas do cotidiano opressor, dos sonhos postergados e da rotina mortal. Tudo isso construído com altas doses de humor e crueldade ferina, mas sempre deslizando para a zombaria demolidora. A direção de Gustavo Paso explora o texto no que ele tem de originalidade, mas não sem mantém refém a ele. Paso compreende a peça de Bivar e imprime a sua leitura de maneira que o texto passe incólume a mais uma prova do palco depois de anos de sua estréia. Poder-se-ia dizer que por ser uma dramaturgia fruto de um momento especial, já bafejada pelos ares da contracultura, a peça estaria presa ao circunstancial. Não é o que se vê no palco. Ainda há um sopro de rebeldia, de novidade, de atualidade em Alzira Power ou O Cão Siamês, título da peça, indicativo do absurdo da situação em cena, mas que não resvala par ao incompreensível. Ainda que concebido sob a mais ferrenha censura, o discurso é direto e suas ambigüidades tornam saborosa essa dramaturgia - conhecida como "Nova Dramaturgia" - merecedora de novas encenações.

A “Nova Dramaturgia”, é o termo utilizado por Sábato Magaldi para enfeixar os trabalhos de Antônio Bivar, José Vicente, Leilah Assumpção, Consuelo de Castro, Isabel Câmara, acrescento o de Timochenco Webb, jovens autores que estrearam no final da década de 60 e que obtiveram com seus primeiros textos a receptividade da crítica e do público. No artigo datado de agosto de 1969, o crítico faz um balanço da temporada teatral e aponta o surgimento desses autores, todos eles escrevendo para o palco e expondo sob uma nova chave as questões do seu tempo. Afastados do realismo social que prefigurou a fase anterior da dramaturgia, aquela feita nos moldes proposto pelo Seminário de Dramaturgia promovido pelo Teatro do Arena, esses autores colocam nos textos a experiência vivida, adotam o confissão e escancaram a vida da metrópole onde vivem. Nota-se na diversidade de seus trabalhos o influxo de Plínio Marcos, autor que se torna vísivel ao mesmo tempo que os citados, mas que corre em raia própria, mas sem deixar de servir de esteio para os novos dramaturgos.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Registro 200: Sob o Signo das Luzes


O lançamento aconteceu na Bienal do Livro - São Paulo. Embora eu não estivesse presente, o livro está na praça. Em Sob o Signo das Luzes, décimo trabalho publicado, entre prosa e dramaturgia, conto a história de Eleutério um garoto que vive em Salvador quando da Conjuração de 1798.
Em Salvador, final do século XVIII, o adolescente Eleutério trabalha como como aprendiz de alfaiate. Inquieto, esperto, ouve com atenção as conversas, embora não entenda direito o que dizem aqueles homens que falam palavras em francês. Logo ele vai descobrir que toda aquela agitação na cidade são os lances finais de um movimento revolucionário. Liderados por alfaiates, os rebeldes lutam por liberdade, inspirados nos princípios da Revolução Francesa. Eleutério é testemunha de uma momento histórico, a chamada "Revolta dos Alfaiates. Enquanto isso, precisa decidir seu futuro. Essa é a sinopse do livro, meu primeiro trabalho para a FTD.
Para escrever o livro, pesquisei e inventei. Ele é fruto do cruzamento da História com a Literatura, um procedimento que adotei em Da Costa do Ouro (Saraiva, 2004), livro que fala da Revolta dos Malês. Tanto em um como no outro procurei ver o passado à luz do presente. Sem falsear os acontecimentos, dei largo curso a imaginação ao criar os personagens fictícios.
O livro é destinado ao leitor jovem, mas isso não impede que outros leitores se interessem pela trama, cujo fato histórico desenrola-se envolvendo Eleutério que em seu processo de descoberta do mundo e do Outro vai em busca de sua autonomia.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Registro 199: Contribuição de Dimitri Ganzelevitch


Tudo por causa de um LP

Cheguei para morar na Bahia em 1975.
Há, portanto, 33 anos que a mesma pergunta, com exagerada freqüência, vem bater á minha porta. “Porque veio morar aqui?” Uns com tom de profunda incredulidade. “Quem me dera, a mim, estar no hemisfério norte!”, outros com uma pontinha de suspeita. “Seria mais um Ronald Biggs?”.
Ninguém muda assim, do dia para o outro, de cultura, de clima, de idioma, de comportamento, sem motivo.
Hoje chegou a vez de desvendar o segredo.
Foi pela força de um disco. Um LP como se falava na época

Minha mãe, separada de meu pai, viveu durante 25 anos com um português, em Lisboa. Antonio Lopes Ribeiro era cineasta, crítico de cinema, poeta, escritor. Irrequieto, magro, nervoso, fazia sempre grandes discursos com muitos gestos, fumando um cigarro atrás do outro. Teve imensa responsabilidade na minha formação intelectual de adolescente.
Na sala reinava um magnífico aparelho de som, um Grundig. Rádio e toca-discos. Nele podíamos ouvir, não só os modernos 33 rotações, de vinil, mas também os velhos 78, em frágil bakelite. Havia de tudo, desde Chopin, Brahms, Chaliapine e Caruso até Amália, Piaf, Carmen Miranda e Dick Farney. Que bela voz tinha este Dick! Parecia veludo...
Antônio viajava muito. Uma vez veio do Brasil, onde encontrara cem personalidades do mundo do cinema e da música, com as malas entupidas de discos. Entre vários discos havia um, com uma caricatura mostrando um forte mulato de camisa listrada e chapéu de palha. Dorival Caymmi. Uma seta indicava “Maracangalha”.
As canções de Caymmi foram, para mim, uma viagem num mundo mágico, quente, doce e colorido. Alegre e poético também.

A vida dá suas voltas.
Meu tio Boris trabalhava para a Unesco no Rio de Janeiro. Convidou-me para conhecer o carnaval. Na minha bagagem, uma carta de apresentação para Orígenes Lessa, autor do “O Feijão e o Sonho” e grande especialista em literatura de cordel. Sua companheira, Maria-Eduarda, era filha do conde Marim, algarvio com muito honra. Me desafiaram. “Vamos ao casamento do filho de Jorge Amado, em Salvador. Porque não vem com a gente?” Porque não? Fui.
Foi grande a emoção de encontrar, na casa do famoso escritor, o autor de “Eu vou para Maracangalha” e de tantas pérolas da música brasileira. Pouco mais fiz do que apertar timidamente sua mão e olhar para ele a cada minuto. Parecia, com seu cabelo grisalho, ter um brilho especial. Mas, naquela manhã, a verdadeira estrela da casa era Débora, a cobra de Paloma Amado.
Durante uns cinco dias, passeamos pela cidade, muitas vezes ciceroneados por um jovem poeta, muito mulherengo, Ildásio Tavares. Lembro de uma seresta nas areias do Abaeté, com velas plantadas em pequenas covas ao abrigo da brisa. A beira da lagoa parecia um céu estrelado ao avesso. Tão inocentes, em 1971, aquelas areias...

A vida continua dando suas voltas.
Vi morar na Bahia em 1975 e descobri então que o colorido cartão postal também tinha um avesso, branco e preto, bastante mais fastidioso. Teria que preencher os espaços vazios com meus próprios pincéis para resistir a uma realidade que seria, ao princípio, dura e sem piedade. Aprendi a viver.
Em 1983 encontrei novamente o magnífico mulato, já de cabelo branco, novamente na casa da rua Alagoinhas. Novamente apertei, tímido, sua mão. Afinal o que é que um pobre imigrante simplório nas suas certezas de europeu banhado em Molière e Debussy, mas incapaz – até hoje – de sambar ou contar uma piada, teria ousado falar com um Dorival Caymmi?
Os anos passaram, fiz minha esta terra que tanto critico aqui, confesso, e que tanto defendo quando a atacam lá fora. Segui meu caminho por verdes vales e poeirentas caatingas, lamaçais e águas mornas. Sempre guardei na memória a honra de ter apertado, por duas vezes, a mão de um homem que podia levar um ano para fazer uma só canção, mas ofereceu ao mundo pérolas de mares fundos, onde belas sereias valsam com pescadores enamorados.
Perdi, nas mudanças, o disco até um amigo rastafari, amante de boa música e comerciante esclarecido do Pelourinho, sabendo de minha procura, me oferecer um velho exemplar, idêntico ao de minha lembrança de adolescente.

Hoje abro a televisão para enfrentar a triste noticia.
Dorival Caymmi acaba de morrer aos 94 anos, rodeado por uma maravilhosa família que consegue viver de música sem nunca ter caído nos fáceis sucessos descartáveis que agora poluem nossa sociedade consumista e desmemoriada.
Hei de ir, ainda este ano, mesmo sem Amália, a Maracangalha.
Se Deus quiser.

Salvador, 16 de agosto de 2008
Dimitri Ganzelevitch

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Registro 197: "Tanto négocio, tanto negociante" e muita estupidez

Nem tudo que Caetano Veloso faz e diz eu aprecio. Mas gosto sempre de Caetano Veloso. Desde que ouvi Domingo, o disco com Maria das Graças, ele se tornou uma referência pra mim. O seu jeito de ver o mundo, a sensibilidade para expressar sentimentos sobre as pessoas e as coisas ecoa em mim de uma maneira acolhedora. Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim. O jeito como lida com a língua portuguesa me encanta. Invejável! Acompanhei seu trabalho desde o disco referido e de suas aparições na televisão, quando se mostrava conhecedor do cancioneiro popular brasileiro. Daí para cá me mantenho atento aos seus passos, caminhos e descaminhos. Uma relação de amor, sempre. De desamor às vezes.

Essa resumida introdução deve-se à carta que ele enviou ao jornal A Tarde, da Cidade da Bahia, e publicada em 15 de agosto de 2008. Vou transcrevê-la porque gosto da sua lúcida argumentação. Ele sai em defesa do calçadão da Barra, aquele de pedras portuguesas, que o imediatismo, a burrice, a simplificação, a desinformação sepultaram. Não digo para sempre, porque, quem sabe um dia, alguém resolve que o calçadão deve retornar ao que era, até que a sanha modernizadora de uma gestão incompetente botasse abaixo. Não é a primeira vez que isso acontece em Salvador. Os registros da estupidez dos políticos (muitos), péssimos administradores, são inúmeros. Eles decidem tudo nos bastidores. O pior de tudo é que encontram apoio. Apoio de gente desinformada que se encanta com a novidade, a comodidade. Não me alinho a essa maioria inculta.

O monstrengo que virou o Campo Grande depois da reforma (gestão anterior) que retirou a calçada desenhada lindamente com pedras portuguesas está aí para quem quiser conferir. Aquelas estátuas de resina são ridículas. Isso numa cidade que teve lindas estátuas de mármore em seus jardins públicos. Par onde levaram as da Praça da Piedade? Onde se encontra a que havia no centro da Praça Tomé de Souza?

A propósito, espero que a reforma do Passeio Público seja feita com inteligência, sensibilidade e informação sobre o logradouro. Não faço aqui a defesa do imobilismo, mas um pouco de história não faz mal a ninguém. Um dos elementos que singulariza a Cidade da Bahia é sua história. Isso faz a diferença. Quando ela virar uma cidade qualquer, lamentaremos.

A questão do piso de pedras portuguesas na Bahia não funcionar é porque, atualmente, eles são mal feitos. Propositadamente mal feitos.

Mas deixo ao leitor as palavras do santamarense.

“Cheguei da Europa e soube, aqui, do crime que o prefeito de Salvador está cometendo no Porto da Barra. Não posso ficar calado. É uma indecência manter as pessoas desinformadas a ponto de entrarem na guerra suicida à calçada portuguesa. O calçamento português é marca importante da nossa vida física e espiritual. Os incômodos que porventura venham de sua má conservação não são motivo para destruí-lo. Em São Luís (atualmente a cidade mais bonita do Brasil), as antigas calçadas portuguesas foram restauradas com o esmero técnico adequado e não provocam trepidação em carrinhos de bebê nem engolem saltos de madames. E são vastas e extensas áreas da cidade que as ostentam. As praças de Lisboa apresentam a mesma firmeza e a mesma elegância. Por que há tantos baianos votando a favor desse descalabro? Será que voltamos ao mau gosto vulgar que dominava antes de Jaime Lerner recuperar o Largo da Ordem em Curitiba? Regredimos para a visão grosseira que teria deixado o Pelourinho, em Salvador, o Largo da Lapa, no Rio, virarem pó e serem substituídos pelo caos dos restos da arquitetura moderna que enfeiam o Brasil? São restos culturais de baixa qualidade que se oferece aos grupos emergentes da sociedade, em nome da democracia. É caso para ouvirem especialista, respeitarem-se os locais históricos e míticos, esboçar-se uma reestruturação inteligente da cidade. Se isso não agrada de imediato a uma (suposta) maioria desavisada, não importa. O essencial está num texto escrito por Ordep Serra: um texto excelente sob todos os pontos de vista. Então, um lugar como o Porto da Barra pode ser violado assim? Não. Protesto veementemente. Não se pode adotar piso de concreto e granito polido na curva do Porto e tampouco a retirada das árvores. O que é que há com Salvador que o prefeito começou a construção de uma favela nas areias da orla e esse esboço continua lá, enquanto uma horda de desinformados apoia a destruição do porto da Barra?”

Caetano Veloso

Assino embaixo,
Raimundo Matos de Leão
Escritor e professor

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Registro 196: Hoje tem palhaçada? Tem sim senhor!


Picolino II

O Circo Nerino volta à Bahia. Retorna em uma exposição de fotografias organizada por Roger Avanzi (Picolino III) e Veronica Tamaoki. Ele, filho dos fundadores do Nerino, circo criado em Curitiba (1932) e que se aventurou pelo Brasil levando a magia, a alegria, o deslumbramento dos seus espetáculos no picadeiro e no palco. Ela pesquisadora e também fundadora do Circo Escola Picolino.

Inesquecível Circo Nerino...

Em junho de 1955, Ipirá – Bahia, encostado na porta do posto-restaurante O Rodoviário, cujo proprietário era meu pai, eu vi o comboio chegar; caminhões e ônibus, numa fila que para mim era interminável. A longa fila entrou lentamente na cidade que se alvoroçava diante da imponência do cortejo. Nunca se vira tantos caminhões e ônibus juntos por ali. Só quando passavam os romeiros para a festa das Candeias é que eu via um movimento igual ao que presenciei naquele dia.

As crianças, principalmente os meninos, mas as meninas também, todos corriam para ver o Circo Nerino que chegava. Vinha de longe prometendo maravilhamento. A cidade se rendeu diante do número de viaturas, diante do grande elenco. Em pouco tempo os artistas montaram a estrutura circular na praça principal. Dela sairiam os alumbramentos dos espetáculos.

Atraído, fascinado e curioso acompanhei o trabalho daquela gente sem me aproximar. Por contas das histórias de que ouvia: - Gente de circo leva criança para ser treinada, eu temia que isso acontecesse comigo. Mas, se o apavoramento me detinha, a vontade de ser artista de circo me levava para perto daquele reboliço rompendo o marasmo da pequena cidade. A vontade de ser artista diminuía os receios de ser levado para longe. Eu era muito pequeno e não podia sair sem a companhia de um adulto. Portanto, a minha imaginação tratava de criar essa realidade paralela tecida pelo fascínio e por algo que não conseguia tomar forma, como tomou a medida que fui crescendo e os circos foram chegando e partindo.

Na enorme praça da igreja, mais precisamente atrás do imponente templo, armou-se o Nerino, delícia daqueles dias de inverno sertanejo de céu azul e noites frias. Enorme, sólido, se é que um circo pode ser definido por essa qualidade. A imponência de sua estrutura, a grandiosidade de sua forma, inspirava segurança e acolhimento. A maleabilidade da lona, esticada até o limite do permitido, desenhava-se no espaço da praça. Outra paisagem surgia aos meus olhos encantados com o primeiro circo que viam. Era grande o Circo Nerino. Grande aos meus olhos de criança, grande também aos olhos dos adultos, impressionados com a monumental empanada. Era um circo e tanto o Nerino! E a cidade empolgada aguardou o momento da estréia.

Eu vi Picolino, o palhaço. Um deles, visto que são três. Talvez o Picolino I ou II, que seja! Ele era maravilhoso e isso é o que importa. Não me esqueci de suas palhaçadas e do grande colarinho que ele movia habilmente engolindo sua cabeça. Ainda hoje me lembro da roupa e da maquiagem bem definida. Era a imagem mais fiel de um palhaço. Para mim ficou sendo o palhaço dos palhaços.

Havia teatro no Nerino. Não lembro o que vi no palco, mas ainda guardo a imagem de uma cena, principalmente do cenário. Um mar de ondas revoltas que brilhavam à luz dos refletores.

Por fim, recordo-me da moça vestida de branco sobre uma bola azul pontilhada de estrelas prateadas. Ela fazia a bola girar pelo picadeiro enquanto fazia acrobacias, quase uma dança etérea naquele globo-planeta que girava sob seus pés. A orquestra tocava uma valsa e eu, sentado na cadeira forrada de vermelhode não desgrudava os olhos. Eles apreendiam tudo... Na minha quietude de menino, os sentidos aguçados sorviam imagens e sons e cheiros de um mundo que se mistura ao dos outros circos que eu vi, não tão maravilhosos quanto o Nerino, mas queridos da mesma forma: O Pavilhão Zé Bezerra, sem picadeiro, uma construção retangular culminando com o palco onde se dava a função: atrações variadas, como a do mágico que fazia levitar uma moça, e comédias e dramas no final da sessão; o Circo São Raimundo, com suas duas atrações principais, a angelical Maria de Jesus e a loira fatal Ducicleide; e o circo de nome perdido na memória, mas que marcou a minha infância pelo fato de ter desabado na noite em que estreava uma ipiraense cativada pela vida debaixo da lona e pelo amor do palhaço Jatobinha.
Quando o Nerino partiu, fiquei na porta do posto-restaurante O Rodoviário, até que os ônibus e caminhões desaparecessem sob o pó da estrada. Eles levavam as minhas muitas saudades e a certeza de que o circo viveria em mim de muitas maneiras.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Registro 194: Registros Fotográficos e...

Mexericas
Raimundo
2008

Azul para Morandi
Raimundo
2008
Descubro o prazer de fotografar. Gosto de compor os objetos como num desenho ou pintura. Brinco sem muitos artifícios. As frutas tinham acabado de chegar do supermercado e me atraíram. Forma, cor, textura. Luminosidade no branco. A garrafa azul veio em seguida. Morandi é uma referência. Pela casa se espalham garrafas. Sou fascinado por azuis. Os azuis de Yvens Klein são memoráveis na sua compacta limpidez. Eles são zen. Dizem que Malevitch tinha desprezo pela natureza. Seus quadros mostram isso. Não os desprezo. Gosto do branco no branco. Construtivismo. Os construtivista e futuristas, aquela gente vanguardista iluminada e iluminadora. Eles polemizaram e deu no que deu. Pesquisaram e deu no que deu. Para eles o realismo não bastava, era uma camisa de força. Afrontavam. Os campos gelados são seus sudários.
Bachelard incentiva criar poética no espaço. Descobrir poética nos espaços.
Descansei pós-almoço. Esse clima de fim de inverno é convite para a moleza, bem diversa daquela provocada pelo verão. Dei conta dos trabalhos para os alunos.
O trabalho e os dias. Belo texto.
Um céu azul de nuvens rarefeitas é o que vejo da janela do escritório, cela monástica. Os pássaros cantam na janela da sala. Digo que estão satisfeitos. As plantas crescem...
Constato a rugosidade da pele, não tão elástica quanto a pele das mexericas.
Li, não sei aonde, que os evangélicos, certos evangélicos, fazem campanha contra a reeleição da prefeita de Fortaleza. Não tenho informações sobre o trabalho, o caráter, as posturas da cearense. Não me interesso por sua campanha, mas diante do reacionarismo fundamentalista, um voto pra ela. Ah, dizem que ela é marxista e atéia.
No meu tempo de criança diziam que comunistas comiam crianças e freiras. A assustadora ameaça inverteu-se, mudou de rumo...
Gostaria muito de falar sobre um filme que está em cartaz. Chama-se Do Outro Lado. Tocante, profundamente humano! Conta uma história e tanto. Reconstrução de almas arruinadas. O filme é imenso nos desencontros e encontros. A cena final é monumental na simplicidade, mas a força que emana de sua construção é tocante. Nunca senti uma sensação tão forte, real, vividamente real. Parecia que era eu que sentava na areia da praia para esperar...
Esperar...
DO OUTRO LADO ( Auf der anderen Seite )Dir: Fatih Akin. Prod: Alemanha-Turquia, 2006. Dur: 2:05. Classif: 14. Elenco: Nurgul Yesilcay, Baki Davrak. Sinopse: História de um jovem alemão e de seu pai viúvo que escolhe uma prostituta para casar. Ao descobrir que a mulher tem uma filha na Turquia, seu país de origem, o rapaz decide viajar para encontrá-la, sem imaginar as surpresas que viriam durante a jornada. Melhor Roteiro – Festival de Cannes 2007 l "Do outro lado" ganha prêmio do júri ecumênico em Cannes l Fatih Akin concorre ao Oscar com um filme alemão e outro turco l Filme de Fatih Akin premiado com quatro 'Lolas'

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Registro 193: Abertura dos Jogos Olímpicos

Grandiosa a abertura dos Jogos Olímpicos na China. Um show ilimitado de progresso e tecnologia. Penso que os crentes nas benesses do progresso ficaram fascinados. Confesso que fiquei também! Mas, ao longo do monumental show, pensei: os poderosos de plantão escrevem a história de forma a empurrar para baixo do tapete o que é incomodo. Essa prática não é de agora. Na União Soviética, quando do tacão stalinista, apagaram-se das fotografias todos aqueles que discordaram dos (des) caminhos que a revolução tomou a partir da entronização do grande ditador no poder. Os grandes ditadores agem da mesma forma.

Apagar das fotografias os indesejáveis é um ato terrível, mas se comparado ao extermínio moral e físico parece bobagem. Com isso não minimizo o ato de apagamento. Fotos são documentos necessários para se contar a história. A pesquisa social necessita delas também; “considera-se a fotografia como índice, marca de uma materialidade passada, na qual objetos, pessoas, lugares, nos informam sobre determinados aspectos desse passado” (MAUAD, 2004, p. 22). A fotografia também é um símbolo; nela está fixado o passado, aquilo que os antecessores escolheram para registra e legar ao futuro.

Mas voltemos ao assunto inicial. A digressão tem o efeito de ampliar o que segue:

As gerações vindouras verão as fotos da festa olímpica, festividade política estetizada. Nelas estarão registrados momentos de intensa beleza. Espertamente, as autoridades chinesas contaram a história que no momento lhes interessa: o momentoso passado da civilização milenar. Passado que foi soterrado, posto na sombra e destruído pela Revolução Cultural desencadeada por Mao Tsé-Tung. O filme Adeus Minha Concubina, de Chen Kaige, diz muito bem o que aconteceu no período. O Grande Timoneiro pôs por terra a vida cultural chinesa, sua rica história, sua filosofia e sua arte, considerando-as desvios nos caminhos do novo homem que surgiria livre da tradição e de uma sociedade assentada na rígida divisão de classes a ser superada pela igualdade comunista. O pensamento único deu no que deu. Destruição em massa de pessoas e do passado.

É certo que as ideias contidas no Livro Vermelho mexeram com a cabeça de grande parte da juventude durante a década de sessenta. O curioso é que o show na quadra de atletismo do Ninho do Pássaro, o estádio de formas inventivas, não mostrou o que a Revolução Cultural propunha e fez. Mostrou-se a tradição, aquilo que foi renegado como um mal a ser exterminado da face do “planeta” China. Não creio que os ensinamentos de Mao estão renegados pelos chineses, principalmente por aqueles que estão no poder. Talvez por ser um momento de grandes contradições e de violência exacerbada, rememorar a Revolução Cultural pode destoar do espetáculo na era da globalização.
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MAUD, Ana Maria. Fotografia e história, possibilidade de análise. In: CIAVATTA, Maria e ALVES, Nilda (orgs.). A leitura de Imagens na Pesquisa Social. São Paulo: Cortez, 2004.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Registro 193 A: Impressões sobre um espetáculo-sarau

FRATERNAL COMPANHIA

Angela Reis e Daniel Marques

Ontem, 6 de agosto, fui assistir Uma por Outra: histórias de Arthur Azevedo, espetáculo da Fraternal Companhia. Participam do elenco Angela Reis, Daniel Marques, Gláucio Machado, Jacyan Castilho e os músicos Maurício Azevedo (violão) e Vanessa Melo (flauta). O espetáculo consiste da teatralização de contos do popularíssimo dramaturgo que marcou a vida teatral brasileira entre 1873 e 1908 com sua ação.

Os textos escolhidos tratam das relações amorosas. Azevedo tece as tramas saborosamente nos contos escolhidos – Confidências, Uma Aposta, Uma por Outra, A Melhor Amiga e A Filha do Patrão, os mal-entendidos e encontros que envolvem homens e mulheres. Os contos chegam para a platéia do século XXI sem o ranço do tempo. No entanto, preservam-se as suas qualidades literárias fortalecedoras das situações que muitos poderão considerar datadas, visto as mudanças nos hábitos e costumes atuais, em que casos parecidos não são tratados com as sutilezas que permeiam as relações descritas pelo autor maranhense. Arthur Azevedo não falseia nem esconde os conteúdos; o conto A Filha do Patrão é um bom exemplo de certa crueza pragmática com que o pai (patrão) resolve a situação da filha. Revelando com traços bem definidos os personagens que transitam pelas situações dos cinco contos escolhidos, vemos como o autor cuida carinhosamente de cada um dos tipos, delineando-os muito bem. Sem julgá-los, deixa a cada um dos espectadores as conclusões sobre atitudes que cada personagem toma com relação a si e ao outro.

Conforme o texto do programa, a proposta de “usar a cena para contar o conto” visa “preservar o humor e a inteligência do texto, utilizando-os para provocar no público o encantamento que todos nós sentimos ao ouvir uma boa história”. É isso que o pocket espetáculo oferece. Aliada a essa qualidade – contar uma boa história – juntam-se a mestria do elenco, o despojamento da encenação, sua coloquialidade aproximando a cena do espectador, o jogo inventivo entre os intérpretes e uma dose das propostas brechtianas; tudo isso torna a cena encantadora. O clima de sarau se estabelece desde o momento em que elenco recebe o público fazendo-o ingressar na sala, em cujo palco encontram-se os músicos. É visível a reação da platéia; ela se rende aos poucos à magia do teatro e à sua capacidade de fazer com que o “clima de alegre nostalgia” dos saraus de antigamente prevaleça. Assim, instaura-se a comunicação maravilhosa entre os atores, músicos e espectadores.

A cena, em seu despojamento cenográfico, uma cortina branca adornada com fitas e flores vermelhas, completa-se com quatro cadeiras brancas de assentos forrados na mesma tonalidade, servindo de moldura para os atores. Neles está a graça da encenação. Dominando o seu ofício, os intérpretes se encarregam dos personagens e das canções; e fazem isso bem. Passam dos gestos sutis para os largos, habilidosamente. Da mesma maneira, mostram, pelo jogo facial, as expressões que completam e enriquecem as palavras.


Vestidos pela figurinista Renata Cardoso, que escolheu trabalhar com tecidos pretos e brancos habilmente combinados, os intérpretes, quando não estão no centro da cena, esperam sentados o momento de assumirem a ação que lhes cabe no roteiro bem construído. A opção da figurinista pelo preto e branco, combinando tecidos lisos e estampados, quebra a possível monotonia que essa escolha poderia acarretar. Os figurinos obedecem ao traço de época e são complementados por adereços vermelhos: lenços, leque, envelopes, cartões com fotografias e um revólver, pequenos pontos quentes que surgem para dinamizar a mescla do preto e do branco em cada roupa.

Registre-se a escolha do repertório, belas músicas do cancioneiro popular brasileiro. A ação é pontuada pelas seguintes canções: Isto é Bom (Xisto Bahia), Ai, Ioiô (Henrique Vogeler, Luiz Peixoto, Marques Porto), A Mulher Quando Não Qué (Sátiro de Melo), Flor Amorosa (Joaquim Callado e Catulo da Paixão Cearense) e Jura (Sinhô), músicas cantadas sem o auxílio de meios mecânicos e inseridas no contexto do espetáculo.

O espetáculo-sarau Uma por Outra: histórias de Arthur Azevedo está em cartaz às quartas-feiras durante o mês de agosto, às 20:00 horas. Vale à pena ir ao Teatro Gamboa para apreciar o trabalho dos intérpretes, também professores da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, e o que eles fizeram com material escolhido para trabalhar sob a direção de Daniel Marques. O diretor soube imprimir leveza e agilidade, equilibrando os momentos de exacerbada comicidade com a delicadeza de certos momentos provocadores de sorrisos e não de gargalhadas.

A iniciativa da Fraternal Companhia de trazer para a cena os contos de Artur Azevedo é louvável, não só pelas qualidades da realização, mas pelo significado: mostrar para os espectadores a força de comunicação de Arthur Azevedo. Se os contos, que não foram feitos para o teatro, na forma como foram tratados, funcionam na ribalta, pode-se imaginar suas comédias, suas revistas, peças curtas e grandes textos, como O Mambembe e A Capital Federal, necessários de serem revisitados. Se as pesquisas atuais reavaliam a produção teatral do final do século 19 e início do século 20, o teatro popular, considerado por muitos como responsável pela decadência do teatro nacional, urge que se coloque em cena a produção de qualidade legada por essa gente, como Arthur Azevedo, que animou a cena brasileira no momento em que ela busca fortalecer a sua identidade.

Os aplausos no final mostram a satisfação de quem se deslocou até o pequeno Teatro Gamboa, espaço adequado para se ver Uma por Outra: histórias de Arthur Azevedo. No final da récita, o elenco dedicou o espetáculo a Derci Gonçalves, uma justa homenagem.

Elenco: Angela Reis, Daniel Marques, Gláucio Machado, Jacyan Castilho. Músicos: Maurício Azevedo e Vanessa Melo. Equipe Técnica: Daniel Marques (direção), Maurício Azevedo (direção musical), Renata Cardoso e Daniel Marques (cenário), Renata Cardoso (figurinos e maquiagem), Samanta Olm (assistência de figurinos e maquiagem), Irá Moutinho e Carlos Nunes (costura), Pedro Rodrigues (programação visual), João Meirelles (fotos), Angela Reis (produção executiva). Teatro Gamboa, agosto de 2008.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Registro 192: Comentário sobre uma lista de peças de teatro

Recebi a lista 150 Textos Drámaticos Fundamentais Para a Formação de Um Aluno de Artes Cênicas e acolhi. Listas são subjetivas, mas a lista do artista-professor Celso Jr segue alguns princípios. Ele não faria uma indicação seguindo apenas o seu gosto pessoal. É certo que a sua indicação leva em conta também o gosto, mas como esse gostar vem tecido de conhecimento sobre o teatro sua história, idéias, sujeitos, ela ganha uma outra dimensão, equilibrando-se entre subjetividade e objetividade. A leitura dessas obras contribuirá para a formação dos alunos de Artes Cênicas. É importante que eles leiam esse legado, não como uma obrigação. Ler por obrigação é o fim da picada. Nada é absorvido e logo se esquece a beleza do texto, os significados, a dimensão humana contida em cada personagem, em cada situação armada por esses “monstros do teatro”. Ao longo do tempo, seguindo os princípios do seu tempo ou rompendo com eles, os dramaturgos em tela construíram monumentos, às vezes levados à cena pelas leituras inovadoras ou não dos encenadores. O certo é que eles ainda comunicam pronfudidades da alma aos espectadores da (pós) modernidade. Alguns desses textos não conseguem mais o merecido lugar no palco da contemporaneidade. Muitas são as razões para que eles fiquem esquecidos nas estantes o último lugar para um texto de teatro. O lugar de uma peça é o palco.

Na lista em questão, sinto falta de alguns textos, mas eu que faça a minha. No entanto, gostaria de sugerir a inclusão de Longa Jornada Noite Adentro (Long Day’s Journey Into Night), de Eugene O’Neill e Leonor de Mendonça, de Gonçalves Dias.

150 TEXTOS DRAMÁTICOS FUNDAMENTAIS PARA A FORMAÇÃO DE UM ALUNO DE ARTES CÊNICAS


por Celso Jr

1. Orestéia: Hagamêmnon, Coéforas e Eumênides – Ésquilo
2. Prometeu acorrentado – Ésquilo
3. Édipo Rei – Sófocles
4. Antígona – Sófocles
5. Medéia – Eurípides
6. Hipólito – Eurípides
7. As troianas – Eurípides
8. As aves – Aristófanes
9. Lisístrata – Aristófanes
10. Os dois Menecmos – Plauto
11. Aulularia (A comédia da panela) – Plauto
12. Hécira (A sogra) – Terêncio
13. Fedra – Sêneca
14. Auto da barca do inferno – Gil Vicente
15. A vida é sonho – Calderón de La Barca
16. Fuenteovejuna – Lope de Vega
17. Dr. Fausto – Christopher Marlowe
18. Volpone – Ben Jonson
19. Hamlet – Shakespeare
20. Otelo – Shakespeare
21. Macbeth – Shakespeare
22. Rei Lear – Shakespeare
23. Romeu e Julieta – Shakespeare
24. Ricardo III – Shakespeare
25. Henrique V – Shakespeare
26. Comédia dos erros – Shakespeare
27. Sonho de uma noite de verão – Shakespeare
28. Noite de reis – Shakespeare
29. Alegres comadres de Windsor – Shakespeare
30. A mandrágora – Maquiavel
31. Escola de mulheres – Molière
32. Médico à força – Molière
33. As preciosas ridículas – Molière
34. O avarento – Molière
35. O doente imaginário – Molière
36. Dom Juan – Molière
37. Fedra – Racine
38. O Cid – Corneille
39. O triunfo do amor – Pierre Marivaux
40. Arlequim – servidor de dois amos – Carlo Goldoni
41. As bodas de Fígaro – Beaumarchais
42. Escola de maledicência – Richard Sheridan
43. Mary Stuart – Schiller
44. Fausto – Goethe
45. A dama das camélias – Alexandre Dumas
46. Juiz de paz na roça – Martins Pena
47. Quem casa quer casa – Martins Pena
48. As desgraças de uma criança – Martins Pena
49. Lição de botânica – Machado de Assis
50. O inspetor geral – Nikolai Gogol
51. Casa de bonecas – Ibsen
52. Espectros – Ibsen
53. Peer Gynt – Ibsen
54. Senhorita Julia – Strindberg
55. O pai – Strindberg
56. Dança da morte – Strindberg
57. O sonho – Strindberg
58. Os pequenos burgueses – Gorki
59. A gaivota – Tchekhov
60. As três irmãs – Tchekhov
61. Tio Vânia – Tchekhov
62. O jardim das cerejeiras – Tchekhov
63. O pedido de casamento – Tchekhov
64. O males provocados pelo tabaco – Tchekhov
65. O pássaro azul – Maeterlinck
66. O despertar da primavera – Frank Wedekind
67. Lulu – Frank Wedekind
68. Ubu-Rei – Alfred Jarry
69. A importância de ser prudente – Oscar Wilde
70. Cyrano de Bergerac – Ronstand
71. Baal – Bertolt Brecht
72. Galileu Galilei – Bertolt Brecht
73. O mendigo ou O cachorro morto – Bertolt Brecht
74. A alma boa de Setsuan – Bertolt Brecht
75. Aquele que diz sim – Aquele que diz não – Bertolt Brecht
76. Seis personagens à procura de um autor – Luigi Pirandello
77. Desejo – Eugene O’Neill
78. Calígula – Albert Camus
79. O zoológico de vidro – Tennessee Williams
80. Um bonde chamado desejo – Tennessee Williams
81. A morte do caixeiro viajante – Arthur Miller
82. As bruxas de Salém – Arthur Miller
83. Nossa cidade – Thornton Wilder
84. A cantora careca –Eugène Ionesco
85. O rinoceronte – Eugène Ionesco
86. A lição – Eugène Ionesco
87. Esperando Godot ­– Samuel Beckett
88. Fim de partida – Samuel Beckett
89. Ato sem palavras – Samuel Beckett
90. Vai e vem – Samuel Beckett
91. A visita da velha senhora – Dürrenmatt
92. O balcão – Jean Genet
93. O arquiteto e o imperador da Assíria – Fernando Arrabal
94. Fando e Lis – Fernando Arrabal
95. Guernica – Fernando Arrabal
96. O rei da vela – Oswald de Andrade
97. A moratória – Jorge Andrade
98. Auto da Compadecida – Ariano Suassuna
99. Eles não usam black-tie – Gianfrancesco Guarnieri
100. Morte e vida severina – João Cabral de Mello Neto
101. Dois perdidos numa noite suja – Plínio Marcos
102. Rasga coração – Oduvaldo Viana Filho (Vianinha)
103. Pluft – o fantasminha – Maria Clara Machado
104. Vestido de noiva – Nélson Rodrigues
105. Álbum de família – Nélson Rodrigues
106. Senhora dos afogados – Nélson Rodrigues
107. O beijo no asfalto – Nélson Rodrigues
108. Toda nudez será castigada – Nélson Rodrigues
109. Os sete gatinhos – Nélson Rodrigues
110. A falecida – Nélson Rodrigues
111. Boca de Ouro – Nélson Rodrigues
112. Viúva, porém honesta – Nélson Rodrigues
113. Look back in anger (Geração em revolta) – John Osborne
114. A volta ao lar – Harold Pinter
115. Traição – Harold Pinter
116. A história do zoológico – Edward Albee
117. Três mulheres altas – Edward Albee
118. Saved – Edward Bond
119. Insulto ao público – Peter Handke
120. O menor quer ser tutor – Peter Handke
121. Marat/Sade – Peter Weiss
122. O marinheiro que perdeu as graças do mar – Yukio Mishima
123. O templo do pavilhão dourado – Yukio Mishima
124. Roberto Zucco – B. M. Koltés
125. Tango – Slawomir Mrozéck
126. Os alpinistas – Osvaldo Dragún
127. Medeamaterial – Heiner Müller
128. Hamletmáquina – Heiner Müller
129. Descrição de uma imagem – Heiner Müller
130. Longe demais – Caryl Churchill
131. Cara de fogo – Marius Von Mayenburg
132. Shopping and fucking – Mark Ravenhill
133. Um amor de Fedra – Sarah Kane
134. Psicose 4.48 – Sarah Kane
135. Rosenkrantz e Guildenstern estão mortos – Tom Stoppard
136. Simplesmente complicado – Thomas Bernhardt
137. Memória da água – Shelagh Stephenson
138. A prova – David Auburn
139. Suburbia – Eric Bogosian
140. Atentados – Martim Crimp
141. Budro – Bosco Brasil
142. Novas diretrizes em tempos de paz – Bosco Brasil
143. Intensa magia – Maria Adelaide Amaral
144. Fulaninha e D. Coisa – Noemi Marinho
145. Nada será como antes – Claudio Simões
146. O cego e o louco – Cláudia Barral
147. Bolero – Paulo Henrique Alcântara
148. Entropia – Rodrigo Nogueira
149. A dona da história – João Falcão
150. A estrela do lar – Mauro Rasi

domingo, 3 de agosto de 2008

Registro 191: Arte -Postal - Endereços

http://www.bienalvenezuela.blogspot.com/
http://www.projetartpostalrecyclage2008.blogspot.com/
http://www.medusaproject.blogspot.com/
http://snailartmailart.blogspot.com/
Tenho trabalhos de arte-postal nesses endereços . Visite!

Aproveito para divulgar e convocar interessados em participar da exposição de arte-postal As Peças de Tchecov. Para tanto, visite:
http://www.artepostal-registros.blogspot.com/

Registro 190: Lembrança da infância em...

“Tal como a mãe que aconchega no peito o recém-nascido sem acordá-lo, assim também a vida trata, durante muito tempo, as ternas recordações da infância” - sem discordar de Walter Benjamin (Infância em Berlim por volta de 1900), vejo que em mim as recordações de infância despertam involuntariamente. Esse acordar motivado pelo inesperado que irrompe no caminho do dia e nas veredas das horas torna o cotidiano um pouco mais rico. A estridência dos barulhos ou a suavidade de uma música provocam recordações como as de agora. Sinto no ar o odor dos bolinhos de tia Mirinha. Lembro a textura saborosa da massa fofinha e amarela dissolvendo-se na boca, depois que os olhos admiravam-lhes as formas intumescidas saídas de forminhas que as aprisionavam, mas determinavam seu crescimento para cima, abrindo-as convidativas para o apetite de menino. Apetite que devorava forma, textura e sabor por etapas, até que tudo se transformasse em pasta. Assados em forno de lenha, os bolinhos brilhavam aos meus olhos gulosos, já que vinham vitrificados com uma camada de manteiga derretida, aumentando a intensidade do amarelo vibrante das gemas dos ovos de galinhas criadas nos quintais e nas roças. Essa camada translúcida fazia com que as cores do assado, com suas tonalidades de marrom, combinassem com o amarelo do interior do bolinho, que aparecia pelas rachaduras provocadas pelo calor.

Vendidos nos bares da cidade, ou comercializados de porta em porta pela velha Davina, os bolinhos de tia Mirinha foram as delícias de minha infância, da mesma forma que os bolos grandes e os doces que ela fazia para completar o orçamento familiar, ajudando o marido a criar os muitos filhos. Ele atrás do balcão da venda de secos e molhados, ela na cozinha a bater imensas vasilhas de massa, a untar forminhas, acender o forno de lenha mantendo-o na temperatura exata para fazer sair da fornalha as preciosidades do fim de tarde, hora em que a guloseima ficava pronta abarrotando bandejas e tabuleiros. Pura alquimia a tarefa de tia Mirinha.

Conhecida por todos como Mirinha, seu nome Altamira ficava para as certidões guardadas em caixas no interior de algum armário ou guarda-roupa. Era assim que se guardavam as certidões de nascimento, batismo e casamento no tempo da minha criancice. Para os sobrinhos, era a tia Mirinha, gorda, do rosto redondo, sorriso acolhedor, voz firme e adocicada por um tom maternal de quem criou cinco filhos, todos adultos quando eu era menino. Alguns em São Paulo, outros perto dela. Sua casa exalava os aromas doces e a limpeza. A brisa corria das janelas sempre abertas pelo longo corredor, até os fundos onde se concentrava a cozinha. Tudo no lugar: quadros com paisagens, bibelôs, jarros, vasos com plantas, mesa sempre forrada com tolha bordada ou com pano de crochê, feitos certamente por minha avó. Na cozinha, chamava a atenção o brilho das panelas de alumínio, o tacho de cobre sem azinhavre e os apetrechos para as misturas que só ela sabia fazer.

Bolos do cotidiano transformavam-se em preciosidades nos dias festivos. Não os renegava, embora fosse fiel aos bolinhos que Davina entrega em casa. Fiel a eles. Saboreava os das festas, mas voltava aos pequeninos, certo de que eles eram os melhores bolinhos do mundo; e eram. Ainda hoje, ao ver as guloseimas nas doçarias, padarias e confeitarias, não encontro nada comparável aos bolinhos de tia Mirinha. Eles estão associados aos momentos mais felizes entre os tantos que tive em minha infância. Tanto os bolinhos quanto os instantes de felicidade amenizaram os dias tristes e as tensões de um menino que sabia ser constituído de outra matéria: a dos sonhos, da fantasia, da solta imaginação que me faziam vagar para bem longe, quando os medos se faziam presentes. Ah, os bolinhos de tia Mirinha só encontram rivais nos bolinhos de Tia Nastácia.

sábado, 2 de agosto de 2008

Registro 189: Cotidiana

A propósito do Registro 188, recebi um comentário assinado por Anônimo. Ele diz que se não existe um Deus, existem homens que acreditam na paz, na igualdade, na justiça e que a História reserva páginas para esse homens. Concordo. Mas diante do fato de que essas páginas estão sendo relegadas em favor daquelas que pregam o contrário ou que não pregam absolutamente nada, fico perplexo, incomodado mesmo. Ainda assim, guardo o que restou na caixa de Pandora, mesmo quando amanheço emocionalmente niilista. Leiamos pois, as páginas que relatam o que pensam e fazem esse homens e mulheres para quem a História reservou páginas. A lista é enorme e nela, eu registro artistas, filósofos, místicos, poetas. Faço essa relação sabedor de sua incompletude, mas ela é sinaliza possibilidades... Ou minhas idiossincarsias.
Giornado Bruno
Galileu
Adriano, o imperdor
Tereza de Ávila
Fernando Pessoa
Machado de Assis,
Antonin Artaud
Anton Tchecov
Califa Ali Ben Ali
Sócrates
Sófocles
Eurípedes
Ésquilo
Shakespeare
Fauzi Arap
Nelson Rodrigues
Miguel de Cervantes e Dom Quixote
Lao-tsé
Cristo
João XXIII
Martin Luter King
Chaplin
Walter Benjamin
Constantin Stanislawki
Nietzsche
Luchino Visconti
Ozu
Kurosawa
Milton Santos
Agostinho da Silva
Lina Bardi
Martim Gonçalves
Jezy Grotowski
Carlos Drumonnd de Andrade
Murilo Mendes
Manoel Bandeira
Cecília Meireles
Hannah Arendt
Joaquim Nabuco
Manuel Querino
Manuel Faustino
Torquato neto
José Vicente
Janis Joplin
....
Amanheci com o espírito pra cima, contente comigo mesmo, com o mundo com aqueles que me acompanham. Uma esperança pousou na janela do meu quarto. Fiz a habitual caminhada matinal. Aproveitei para conversar com meus botões e olhar a cidade que amanhece aparentemente tranquila. Ah que saudade do trema!
Antes de sair alimentei com a doçura do mel os passarinhos "amarelinhos" e os colibris que se acostumaram com o néctar produzido pela abelhas. Tenho uma amiga no Barbalho que também alimenta pássaros. Livres de gaiolas, eles voam pela minha sala e cantam festivamente quando o bebedouro está cheio. É certo que reclamam quando deixo de abastecê-lo. Percebo a cobrança pelo tipo do canto, eles mudam a forma de cantar. O som cortante e incisivo é sinal de que falta água com mel.
Ontem à noite dei as três primeira aulas do semestre que se inicia. Aulas de História do Teatro Brasileiro. Apresentei o plano de curso e comecei lentamente a falar sobre dois conceitos, o da história de Walter Benjamin e o de transculturação de Ocatvio Ianni, para daí estudar acontecimentos, sujeitos e idéias construtoras do pensar-fazer teatro entre nós. Antes da aulas conversei com um aluno que deseja tornar-me seu orientador no trabalho de conclusão de curso. Trocamos algumas palavras sobre o tema que lhe interessa: Artaud.
São dez horas e vinte minutos. O registro se encerra. Tenho outras coisas para fazer: reponder a carta que veio da Itália da Psyche Out Fanzine de Silvano Pertone, escrever algumas linhas do livro que se arrasta sem que eu dê conta dele. Na verdade, o tema vem exigindo cuidados e por esse motivo opero vagarosamente. Por falar em livro, preparo-me para o lançamento de Sob o Signo das Luzes pela FTD. O livro está pronto e a editora prometeu lançá-lo na Bienal do Livro de São Paulo.