domingo, 31 de julho de 2011

Registro 362: Marina Tzvetáieva

Em seu texto de hoje (A Tarde), Caetano Veloso fala de três mulheres, sua irmã Maria Bethânia, a escritora Clarice Lispector e a poetisa russa (me recuso a aceitar "a poeta") Marina Tzvetáieva, de quem acabo de ler Vivendo sob o fogo, confissões, livro com cartas de Tzvetáieva, seleção, organização e prefácio de Tzvetavan Todorov. Dela, temos pouca poesia em português. Há uma coletânea editada pela Martins Fontes, Indícios flutuantes com tradução de Aurora Fornoni Bernardini, que eu não conheço, mas vou procurar. Registro duas poesias de Marina Tzvetáieva. A primeira é traduzida por Haroldo de Campos e a segunda por Décio Pignatari

Mão esquerda contra a direita.
Tua alma e minha alma - rentes.

Fusão, beatitude que abrasa.
Direita e esquerda - duas asas.

Roda tufão, o abismo fez-se
Da asa esquerda à asa direita.



ENCONTRO

Vou chegar tarde ao encontro marcado,
cabelos já grisalhos. Sim, suponho
ter-me agarrado à primavera, enquanto
via você subir de sonho em sonho.

Vou carregar esse amargo – por largo
tempo e muitos lugares, de penedos
a praças (como Ofélia – sem lámurias)
por corpos e almas – e sem medos!

A mim, digo que viva; à terra, gire
com sangue no bosque e sangue corrente,
mesmo que o rosto de Ofélia me espie
por entre as relvas de cada corrente,

e, amorosa sedenta, encha a boca
de lodo – oh, haste de luz no metal!
Não chega este amor à altura do seu
amor ... Então, enterre-me no céu!

2 comentários:

Mauna disse...

As mulheres não gostam da alcunha 'poetisa', querem ser chamadas de 'poeta'. Não há razão.
Poetisa é uma palavra muito bela, delicada e feminina, um verdadeiro elogio, e não um diminutivo de poeta. E, além do mais, rima com sacerdotisa e pitonisa.

Abraços,
Mauna

Mauna disse...

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Abraços,
Mauna