quinta-feira, 31 de julho de 2008

Registro188: Constatação


Hoje, a sensação de ser estrangeiro em minha própria terra tornou-se fortemente presente. A constatação não é de agora. Desde que parti e retornei para breves estadias, o sentimento de não pertecimento era vivido sem que isso provocasse dor.
Desde o passado até agora, lidar com essa emoção sempre foi de certa maneira facilitado pelas ocorrências, algumas boas outras nem tanto. Ocorrências na vida de quem se sente cidadão do mundo, cujo vento torna-se a cidade, versos que ouvi em uma canção popular na voz de Fernando Lona.
Céu de fim de tarde. Horizonte sem fim. Descrever a paisagem que se descortina da orla da cidade é querer o infinito. Descortinar o que há para além. O olhar traça uma grande panorâmica deslocando o ponto de vista do mar aberto para a a muralha de pedra e cal. Mas o que se lê da cidade são apenas fragmentos. A dinâmica vertiginosa não deixa o olhar captar além das aparências. Tudo se move rapidamente. O que se vê é a fisonomia sem que se possa captar o verdadeiro eu da cidade, sua gente move-se como figuras que se esvaem entre luz e sombra.
A foto foi feita em 28 de julho de 2008. Postado na mureta que circula a Avenida Oceânica para os lados do Farol da Barra, o olhar não quer ver a cidade, mas ela vai se construíndo pela imaginação e o que ela cria não diz muito da cidade. Ela constrói outra cidade. Uma cidade que combine mais com a paisagem descortinada ao por do sol. Outro rosto se forma e anda-se atrás dessa máscara imposta pelo céu de luzes cambiante e mar... e mar... Amar cada cidade que te é dada. Aprender com elas.

2 comentários:

Halbermensch disse...

Eu sempre venho aqui.

Anônimo disse...

Paradoxo.Amo esta cidade e nos completamos. Na medida em que nos suportamos e nos entendemos. Um pacto de boa convivência, alteridade (haverá isso entre espaço geográfico e homem?) e tolerância, já que vivemos juntos. Entretanto, não é a cidade sonhada, idealizada, a polis utópica. Aqui, sou um nativo estrangeiro. Deslocado. O deslocado que ama a diferença.Paradoxos!