BENJAMIN, Walter. Rua de mão única: extratos. In: Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Duas Cidades; Ed. 34, 2002, p. 105-106.

Dionísio
Vênus
Apolo

PRÓLOGO
Público desta praça, boa-noite!
Somos os novos comediantes.
Somos atores que vão
de praça em praça, de cidade em cidade,
porém sempre adiante.
Se é certo que a vida do homem é uma estrela, que dura apenas um minuto
nesta infinita trajetória que é um dia do mundo, convenhamos que também é uma história.
Uma pequena história irrealizada, que termina às vezes antes de começar.
Uma pequena história para ser contada.
A comédia italiana era outra coisa.
Talvez fosse aquela época de rosas.
Hoje, espinhos se fincam em nossas mãos,
às vezes calosas, e então o arrancamos.
Às vezes de nuvem e naufragamos.
O bandolim quebrado do arlequim,
E hoje um trem furioso.
E o sorriso azul da colombina,
à esperança rosada de uma nova heroína.
Mãe, mulher, irmã.
Que como um ponto de interrogação,
Riscam o dia de amanhã do nosso calendário.
Mas nós sabemos, já que sendo atores, sábios somos,
que o sol chega até o berço de uma simples semente.
O homem não é mais que uma semente.
E a sua história, uma história simplesmente.
Nós existimos porque vocês existem.
Suas histórias nos pesam na alma.
e nossas mãos a choram.
Lágrimas de muito longe trazemos.
E também um riso.
Se algum de vocês, pais nossos,
tem um riso para ser rido ou uma lágrima para ser chorada,
que se aproxime ao fim da jornada de anos.
Atores, cantores, trovadores, caçadores de estrela.
Sua história contaremos lá,
Em longínquas praças, sob a lua, ou sob o sol, para muitos ou nenhum.
O importante é contá-la.
E sua pequena história irrealizada,
será outra história para ser contada.
Público desta praça. Muito obrigado.
O CENÁRIO ESTÁ VAZIO. DE DIFERENTES DIREÇÕES ENTRAM A ATRIZ I e II E OS ATORES I, II E III. SAUDAM-SE ENTRE SI E VOLTAM-SE PARA O PÚBLICO.
ATOR I – Certamente vocês não conhecem os da mesa dez.
ATOR II – Nós os conhecemos.
ATRIZ II – Ela se chamava...
ATRIZ I – Maria.
ATOR I – Ele se chamava...
ATRIZ I – José.
ATOR II – Eu fui amigo de José.
ATRIZ I – Eu fui amiga de Maria.
ATOR III – Ele e eu fomos amigos dos dois.
ATRIZ II – Nós faremos todos os personagens necessários, porém isto não é o mais importante.
ATOR I – O mais importante é a história em si, e se a contamos é porque talvez Maria e José estejam entre vocês, escutando-nos. E queremos que saibam que não os esquecemos. Foi uma história triste...
ATRIZ II – Não é verdade. Foi uma história alegre!
ATOR III – Foi muito divertida.
ATOR II – Foi muito amarga.
ATRIZ II – Ah, não! Lembro-me muito bem como começou... Com música! Concluíamos o colegial, dávamos uma festa!
JOSÉ – (ENTRANDO) Mas o caso é que eu não era estudante. Um amigo me havia trazido.
ATOR II – (A JOSÉ) Venha, José, vamos aproveitar! A Tereza vai te apresentar alguma amiga.
JOSÉ – Não, meu amigo, amanhã tenho que acordar às sete.
ATOR I – Vamos bater uma bola!
ATOR II – Porém o convenci, e veio.
ATRIZ I – E eu lhe apresentei uma amiga. Maria... Ele é amigo do meu namorado.
MARIA – Muito prazer...
JOSÉ – Igualmente, José.
ATOR III – E dançaram...

Walter Benjamin escreve a resenha Livros infantis antigos e esquecidos em 1924. Perspicaz e amoroso, o crítico, filósofo, homem de muitas sabedorias, ilumina o texto com imagens de pensamento, abrindo janelas sobre o tema. Vale a pena passear sobre suas idéias e pensar nos livros produzidos, hoje, para as crianças desse imenso livro que é o Brasil. Em 1989, Fanny Abramovich, escreve:
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ABRAMOVICH, Fanny. Dias difíceis. Ilustrações de Helena Alexandrino. São Paulo: Moderna, 2002.