quarta-feira, 21 de abril de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
Registro 303: As Melhores Coisas do Mundo
São muitos os bons filmes sobre adolescentes e As Melhores Coisas do Mundo é um deles.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Registro 303: Prisão
sábado, 3 de abril de 2010
Registro 302
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias da tua infância!
In : Poesia/Libertinagem
terça-feira, 30 de março de 2010
Registro 301: Multiculturalismo fora do eixo
Eu leio a Bíblia, o Corão, o Talmud como leio a Ilíada e a Odisséia e sou professor. A cada instante, eu procuro agir sem a viseira decorrente dos meus preconceitos. Sei bem o quanto é difícil seguir essa determinação, mas faço disso um exercício de repeito ao outro. Pelo visto, a professora do filme sabe muito bem de si e do lugar que ocupa.
JOÃO PEREIRA COUTINHO
quarta-feira, 24 de março de 2010
Registro 300: Um professor que me ensinou a gostar de História
ISTVÁN JANCSÓ
ESTÊVÃO BERTONI
Ao lado do bibliófilo José Mindlin, István Jancsó foi vencendo aos poucos a "burrocracia", como conta sua filha Virgínia, para tornar real a doação da biblioteca do empresário à USP e, assim, dar vida ao projeto Brasiliana.
Publicado na edição de 24 de março de 2010, Folha de S. Paulo
quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
Registro 298: Liberdade antes que seja tarde
Liberdade para os presos políticos cubanos!
Que os parentes dos mortos do Araguaia possam saber da verdade sobre o paradeiro de cada um.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Registro 297: O ovo da serpente
EDITOR DE OPINIÃO
ESPECIAL PARA A FOLHA
Ao ler as declarações de Marco Aurélio Garcia, lembrei da anedota que circulava na falecida República Democrática Alemã. Sabendo que toda correspondência seria lida por censores, um operário que conseguiu emprego na Sibéria combina com os amigos: "Vamos criar um código. Se uma carta estiver escrita em tinta azul, o que ela diz é verdade; se estiver escrita em vermelho, tudo é mentira".
Um mês depois, os amigos recebem uma carta escrita em azul, que diz: "Tudo aqui é maravilhoso, o comércio vive cheio, a comida é abundante, os lares aquecidos, os cinemas exibem filmes do Ocidente, há uma atmosfera de liberdade e justiça social por toda parte. O único senão é que não se consegue encontrar tinta vermelha".
A menção à inexistência da tinta mostra que a carta deveria ter sido escrita em vermelho. Isso produz o efeito da verdade: era a única forma de transmitir a mensagem verdadeira naquela condição de censura.
Pegando carona na anedota, podemos dizer que a "tinta" usada nas declarações do professor -"processo de dominação"- são termos que maquiam nossa percepção da situação em vez de nos permitir pensá-la, servem para mascarar e manter nossa precariedade audiovisual mais profunda.
A libertação evocada por Garcia transforma-se na melhor de todas as salvaguardas contra a liberdade: "A esquerda precisa reagir à difusão de valores capitalistas", diz. Em que a TV a cabo incomoda este governo? Assiste quem paga, e o assinante tem o livre-arbítrio de cancelar sua assinatura. Questões mais urgentes nas telecomunicações, como os desdobramentos dos canais digitais das TVs, seguem esquecidas em alguma gaveta do Planalto.
A TV a cabo representa uma elite de cerca de 5%, enquanto a maioria da população é arrastada pelos conteúdos [alguns até mais nocivos que os estrangeiros] das TVs abertas, que se abstêm de abraçar uma função maior: a formação de cidadãos, e não só de fiéis consumidores.
Mas isto pouco importa ao assessor, seu negócio é o controle do imaginário brasileiro via TVs a cabo, quem diria. É preciso olhar o mundo. Proibir, não. Nossa TV por assinatura nasceu sob influência de um modelo monopolista da TV aberta e da importação de produtos culturais dos grandes "players" do cenário internacional. Para alterar a restrição dos 49% no máximo de participação estrangeira nas concessões de TV, é necessário mudar a lei que as regula.
A não ser que Garcia considere que, diante da crescente monopolização das TVs pagas, monopólio por monopólio, o de Estado seja melhor. Mas o assessor escolheu virar suas baterias contra os ideais democráticos, tentando restringir o livre fluxo da informação, como acontece nos regimes totalitários, onde o primeiro inimigo passa a ser a imprensa livre.
Essa mesma imprensa foi quem revelou ao país seus verdadeiros pensamentos ao flagrar seu gesto obsceno [o top-top do Fradinho, do Henfil], captado por uma câmera "indiscreta", espalhando sua chocante reação debochada às primeiras investigações sobre o trágico acidente com o avião da TAM. Em vez de trabalhar para o aprimoramento da indústria cultural brasileira, Garcia opta pelo mais fácil: o cerceamento.
Ataca uma indústria ainda em formação, que nasceu tardiamente no Brasil nos anos 70 e se constituiu como mercado efetivo somente a partir dos 90. Hoje, as TVs por assinatura, que estão se revigorando através de leis de incentivo à produção nacional, deixaram de ser meras repetidoras de conteúdo estrangeiro e começam a gerar empregos para profissionais do audiovisual, trazendo inovação de fora e de dentro.
Debulhando todo o seu conteúdo, é evidente, avista-se muita produção duvidosa, mas se colhe também o que de melhor está sendo produzido no mundo da TV.
Comparar a influência em termos de dominação cultural da TV a cabo à ameaça militar da 4ª Frota americana é no mínimo uma piada [e velha], uma atitude anacrônica de uma esquerda já tão antiquada e sectária que nos faz lembrar os métodos do general Quandt de Oliveira, ministro das Comunicações [1974-79] do governo ditatorial do general Geisel, que preconizava a estatização das TVs e o cerceamento da exibição de produção estrangeira, num momento em que a Europa se preparava para privatizar suas TVs e McLuhan já tinha formulado o conceito de "aldeia global".
Ideias obtusas como as proclamadas por Garcia e a insistência em manter o isolamento eletrônico para melhor manipular e dominar -como em Cuba, Venezuela e China- é o mesmo que proibir a publicação de autores estrangeiros. Como diz o filósofo Slavoj Zizek: com esta esquerda, quem precisa de direita?
Caberá ao governo decretar o que é "esterco cultural"? Cercear a exibição de conteúdos, numa era de transmídia, é uma medida isolacionista, que não gera troca de ideias nem de ideais. É estar na contramão da cultura e do que acontece no mundo. Fico com Bernard Shaw: "Liberdade significa responsabilidade, é por isso que tanta gente tem medo dela".
LUIZ FERNANDO CARVALHO, 49, é cineasta e diretor de TV. Dirigiu "Lavoura Arcaica", "Hoje É Dia de Maria" e "Capitu", entre outros.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Registro 296:Dança em meio ao xixi... Ano que vem tem mais
A ti tocou-te a máquina mercante [...]
Tanto négocio e tanto negociante...
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Registro 295: Revista Cena
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Registro 294: É carnaval no gueto
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Registro 293: Nine

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Registro 292: Homenagem a Zilda Arns e ao povo do Haiti
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Registro 291: Notícias do ano que passou
Não farei a lista do melhores do ano. Elas são sempre falsas, mas registro acontecimentos que vivi em 2009. Tais acontecimentos ficam como momentos de intensa magia. E os registros estão guiados somente pela subjetividade, de outra forma não seria, visto que não pretendo estabelecer nenhum juízo de valor. Quero apenas o registro daquilo que ficou em mim como um elo emocional, afetivo
Conclui mais um livro e enviei para algumas editoras. Espero que um delas aceite Dias de Busca e Um Achado. Meus livro publicados, Primavera Pop!, Braçoabraço, Da Costa do Ouro, De Cara Para o Futuro, Bacanas e Famosos no Caderno de Autógrafos e Um Grilo no Pedaço, continuam vendendo, espero que sejam lidos.
Em maio, lancei Transas na Cena em Transe: teatro e contracultura na Bahia (EDUFBA). De vez em quando alguém faz um elogio ao trabalho. Fico contente... O teatro baiano (1966-1974) e seus artistas proporcionaram o material necessário para a feitura do livro.
Assisti aos ótimos filmes Canções De Amor, Bem Vindo, Crônica de Natal, Bastardos Inglórios, À Deriva. No teatro apreciei A Canoa, Deciembre, Caso Sério, A Última Sessão de Teatro, Noite de Reis, Pinóquio.
Li alguns livros: Indignação de Philip Roth, Seleção Natural de Otávio Frias Filho, Estilo Tardio de Edward Said, Bendito Maldito, uma biografia de Plínio Marcos por Oswaldo Mendes, Estátua de Sal (2008) de Albert Memmi, e muitos outros... Reli livros de Fanny Abramovich e recebi de Cecília da Silveira Luedemann Carrapicho. A jovem escritora foi minha aluna no Scholem Aleicham
A biografia de Plínio Marcos, eu ainda não terminei, mas o livro é muito bem escrito embora tenha algumas informações incorretas sobre a atuação de Alberto D'Aversa na Bahia, mas isso não diminui o valor do livro. Pronto, lá vou eu fazendo apreciação.Aguarda na mesa de cabeceira o livro de Cláudio Magris Às Cegas. O livro vai ter que esperar, já que tenho pela frente uma empreitada que merece a minha dedicação e meu empenho.
Além disso, acompanhei com bastante interesse os blogs de Daniel Pizza, Luiz Carlos Merten, Zanin e Celso Júnior.
Espantei com a situação do Centro Histórico de Salvador quando acompanhei uma amiga paulistana interessada no Barroco. Torci pelos artistas baianos, principalmente os companheiros de ofício. Espero dias melhores...
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Registro 290: Estado laico
domingo, 13 de dezembro de 2009
Registro 289: 13 de dezembro
domingo, 6 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
Registro 296: Espanto!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Registro 295: Corajoso posicionamento
Meu nome é dirigismo, e escreve-se na pedra!
Gideon Rosa
A classe artística pode e deve imediatamente reagir a declaração (jornal A TARDE, 27.11.2009, pág. A-8, editoria de Salvador) arrogante e cínica do diretor do Teatro Castro Alves quando, para tentar justificar a ausência de inscrições para os editais do Núcleo do TCA, disse: “Meu questionamento a isso tudo é que talvez essa propalada crise na cultura esteja acontecendo dentro do cerne (sic) dos criadores. Mas vamos relançar o edital do tema livre ainda em dezembro em data a ser anunciada até o fim da semana que vem... no caso de novamente não haver inscritos com documentação em ordem minha posição é de que não haja uma terceira tentativa... “
Os stanilistas remanescentes – no Brasil e no mundo – devem estar todos com os pelos eriçados. Jamais, em tempo em algum, foram tão competentes quantos esses gestores da cultura baiana: eles possuem talento inigualável para mentir, distorcer, manipular, cooptar, coagir pela força do vil metal e, principalmente, enriquecer aproveitando as brechas da legislação, mantendo a cara de humildade.
Qualquer gestor com uma vírgula de humildade iria desejar investigar as razões pelas quais os artistas baianos não quiseram se inscrever nos editais do Núcleo do TCA. Se assim o fizesse, iria descobrir que a razão pela qual os artistas se afastaram – àqueles que ainda possuem brios e respeito pelo seu ofício – é pelo simples fato de não desejarem se submeter ao atual grau de dirigismo do processo criativo embutido nos editais. Os editais estão atualmente configurados de modo nocivo à produção artística, e, claro, ao processo criativo. Os editais são – todos, indistintamente, não importa a unidade, se na Funceb, se no Irdeb, se no TCA, em qualquer campo – um emaranhado manual de como os artistas devem manejar seu processo criativo. Isso é uma afronta inaceitável para quem se respeita!
Aí então, àqueles que ainda possuem algum discernimento se recusam a concorrer a um prêmio de R$ 200 mil para uma montagem (menos o desconto linear de 20%), cujo edital estipula um número mínimo e máximo de atores, o que configura uma descarada ideologia de reparação social através da arte. Além disso, exige-se um piso salarial de R$ 2.500,00 (para atores) e técnicos (variadas faixas) durante três meses. Mas esquecem de fazer as contas. Quem é o artista que, antes de começar, conhece todas as démarches do processo criativo? Ainda não nasceu quem o soubesse. Um processo criativo pode durar um mês, 14 ensaios, 40 ensaios, não há parâmetro; só as necessidades do trabalho vão determinando isso.
Para agravar, os editais exigem que os ganhadores ministrem uma série de oficinas tão idiotas que o coitado passará mais tempo elaborando as oficinas (se for honesto, claro) que não terá tempo de pensar artisticamente em sua própria montagem. Sem falar que as parcelas não são pagas no tempo devido, mas as despesas de produção não esperam, e a prova disso é que a última produção do Núcleo do TCA (Jeremias...) teve um final melancólico: dívidas, brigas internas, inadimplência, troca de elenco etc.
Mas os editais da Funarte, Caixa Cultural, Petrobrás e outros que existem por aí têm salvo parcialmente a situação. A vitória dos artistas baianos nesses editais externos comprova, com clareza, que os artistas baianos não estão em crise criativa. A crise é, verdadeiramente, de gestão, de ausência de um plano para as artes, como confessou publicamente o próprio secretário, muito embora a grande mídia não tenha registrado essa frase emblemática. Em resumo, são esses editais externos que permitem que se dê uma pequena volta por cima dessa perseguição implacável aos artistas implementada pelos atuais gestores da cultura baiana. São eles que têm mantido a dignidade mínima da produção artística da Bahia. Poderia ser mais, mas a arrogância resolveu colocar tudo no mesmo balaio e o resultado é uma confusão da qual nem eles próprios conseguirão mais sair.
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Publico o texto do ator Gideon Rosa, pois trata-se de um pensamento corajoso a respeito de uma questão que não pode ser deixada de lado. Se a culpa está na política cultural do atual governo, refletindo-se em uma edital que não desperta interesse entre os artistas de teatro, é necessário que os mandatários revejam sua postura. Ainda que estejam nos cargos para se colocarem na defesa de uma proposta político-partidária, que repensem suas ações à luz do bom senso, visto que tal projeto vem se mostrando ineficaz. Que as palavras de Gideon Rosa se propague, não como assunto de fofoca, mas como um alerta para todos os artistas e principalmente para aqueles que estão no poder. Poder passageiro, diga-se de passagem! A vingança não é a melhor atitude.
sábado, 28 de novembro de 2009
Registro 294: A última sessão de teatro

Da mesma forma, senti a falta de depoimento dos companheiros da "antiga" no programa.
Criada a moldura, instalada a atmosfera pela habilidade do diretor, eis que entra em cena o ator, o personagem, o ator-personagem? O jogo inicial é o do teatro dentro do teatro. E logo sabemos que o ator-personagem já não consegue se lembrar dos textos. A memória falha. E é sobre isso que ele fala, mas fala, sobretudo dos significados do teatro. E nos pergunta, e a si mesmo, se o teatro ainda significa alguma coisa. A ironia de tudo: o ator é conhecido por HD, mas sua memória falha e ele abandona o teatro quando da temporada de Rasga Coração, o monumental e controverso texto que Oduvaldo Vianna Filho nos legou do leito do hospital. Não há aqui a pretensão de analisar o embate geracional que o talentoso autor traz em seu texto, mas informar que ele vai servir, em A Última Sessão de Teatro, para ilustrar de maneira muito apropriada a temática que Luiz Marfuz escreveu para Harildo Déda.
No desenrolar do enredo, mais um texto agrega-se ao tema da peça - a relação de um velho ator com um jovem desejoso de se tornar ator tal qual seu ídolo. Fato que acontece quando HD, depois de muito relutar, passa a lhe ensinar o ofício. O texto seguinte, Eles Não Usam Black-tie de Gianfrancesco Guarnieri, serve de contraponto, da mesma forma que Rasga Coração, somando-se a uma situação conflitante da peça de Marfuz. No dia do teste para o papel de Lucas na montagem de Rasga Coração, retorno de HD aos palcos, o jovem Luiz Fernando mente, justificando o seu atraso. Sua mentira convence o mestre e ele ganha o papel. Ao ser descoberto é expulso da casa por HD e por sua companheira, Olga. Nos textos de Guarnieri e Vianinha, um pai bate-se com um filho; duas gerações, com pensamentos diversos entram em conflito. Nas duas peças, apesar do afeto que une os dois, o filho é expulso de casa. De forma engenhosa, sem grandes malabarismos, Marfuz arma a sua trama e expõe de maneira muito viva os três momentos, costurando-os de forma bastante segura. Esse mecanismo torna seu texto abrangente, ele pode falar a outra faixa de público, aquela que não é do meio teatral, já que o seu texto está permeado de referências somente conhecidas para quem é do métier ou conhece Harildo Déda.
Antes de introduzir os dois textos consagrados da dramaturgia nacional, Marfuz insere na cena o "inventor do humano", fazendo HD interpretar monólogos retirados de peças de Shakespeare, autor que ele usa também para ensinar Luiz Fernando a dizer um texto. Para quem conhece as habilidades do ator-professor com o universo do bardo, fica em nós a vontade de vê-lo em cena interpretando as monumentais criações de Shakespeare. Ao dizer o monólogo de Lear, o intérprete deixa ver o que pode fazer com o papel. Fosse noutra praça, o nosso primeiro ator, teria condições de fazer o Rei Lear na totalidade, ou Próspero de A Tempestade.
Esclarecido o embuste, recurso que Luiz Fernando usou para ganhar o papel, tanto HD quanto Olga acolhem o jovem, que vê a sua chance chegar. No final de A Última Sessão de Teatro, diferentemente dos personagens Lucas e Tião, das peças citadas, Luiz Fernando se integra ao núcleo "familiar" e passa a fazer parte da família do teatro, unindo-se ao elenco da montagem de Rasga Coração, sem antes ouvir reprimendas do mestre. A relação mestre e discípulo se completa.
O espetáculo se ergue sem pirotecnia por parte do diretor. Marfuz está a serviço de uma ideia e do seu intérprete, Harildo Déda. Sem descuidar de Neide Moura (Olga) e revelando Fernando Santana, ator com futuro promissor, o diretor arma a cena de maneira que os personagens apareçam e os atores possam mostrar a competência necessária para comunicar-lhes ao público. É certo que o foco é HD, e seu intérprete sabe tirar partido desse personagem tão próximo dele. De maneira irônica, ele expõe seus cacoetes e nos convence de que não é ele quem está em cena. Esse jogo torna o espetáculo uma demonstração de sua metamorfose. Mas todo tempo, é como se ele piscasse nos enganando. Hypokrités.
Na estréia, contando com a cumplicidade da plateia, Déda não se deixou levar por esse sentimento, mas soube tirar partido da situação e nos envolveu sedutoramente. Tanto nas passagens realistas da peça, quanto nos momentos de reflexão, parênteses que se abrem ao longo do drama, ele se utiliza do cabedal que a vida no palco e na sala de aula lhe deram. Atinge nos monólogos uma qualidade interpretativa invejavel para qualquer ator que queira estar no palco com a segurança que ele tem. Nesses momentos, o ator utiliza e domina os recursos vocais e corporais para nuançar as palavras que brotam de uma compreensão que tem do texto. A palavra compreendida soa clara e precisa, pois dita pelo domínio da técnica, sem o artificialismo teatralista, mas reveladora da teatralidade. Essa compreensão do que é estar no palco, essa outra realidade, Harildo Déda mostra sem pomposidade e divide a cena com seus companheiros. Gostaria de têlo ouvido completar as canções que em dois momento entoa. O mágico e inesperado momento em que começa a cantar Over the Rainbow é interrompido sem que a cena se complete. Uma pena! O fugaz momento em que canta um trecho de Zumbi (Guarnieri, Boal, Edu Lobo) poderia se concluir. Déda tem recursos de cantor para exibi-los, como já o fez na montagem de Zumbi (1966) sob a direção de Álvaro Guimarães e na Companhia das Índias (Nelson de Araújo, Orlando Senna), em 1968, quando cantava à capela Ol Man River.
Neide Moura, tem nas mãos o personagem mais ingrato. No jargão e na tradição do teatro, é escada para o protagonista. Por isso, Olga não lhe dá possibilidade de grandes vôos, mas a atriz corresponde ao que lhe é dado, marca com sua presença a cena. Na silenciosa Romana de Black-tie demonstra qualidades de atriz presentes em toda a sua atuação.
Fernando Santana como Luiz Fernando, o jovem ator que se posta diante da casa de HD para ser atendido e realizar seu desejo, é uma grata supresa. Infunde verdade ao personagem, usa bem a sua bela voz e não se intimida diante dos atores experimentados com quem contracena. Uma boa promessa. A iluminação de Walter Santos e Luiz Marfuz é bem concebida, necessitando de pequenos ajustes. Toda produção revela cuidado e profissionalismo. Ao fim de tudo, fica-se com a certeza de que o teatro já não é uma recomendação médica como o foi na Grécia, nem mais uma cerimônia que unia a pólis. Ainda assim, consegue tocar de meneira indelével aos que se aproximam dele: os que trazem inpune a marca de Dioniso ou os querem comungar com os oficiantes de um rito já desencantado que nos arrasta quando é pleno nas suas constituintes.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Registro 293: Texto de Fernando de Barros e Silva
domingo, 8 de novembro de 2009
Regsitro 292: Lá se foi Anselmo Duarte




